domingo, 31 de maio de 2009

A conceituação jurídico-legal da expressão "Meio Ambiente"

Conceitos

Definido pelo artigo 3º, I, da Lei 6.938/81, a Constituição Federal consubstanciou-o como bem essencial à vida, preservando seu equilíbrio e garantindo-o a todos. Antônio Silveira R. dos Santos (2007:web Page) assim conceitua meio ambiente do trabalho:

O conjunto de fatores físicos, climáticos ou qualquer outro que interligados, ou não, estão presentes e envolvem o local de trabalho da pessoa.

Conforme o autor (Ibidem), a doutrina passou a entender que meio ambiente comporta a seguinte subdivisão:

a) meio ambiente físico ou natural: constituído pela flora, fauna, solo, água, atmosfera, etc, incluindo ecossistemas (art. 225, §1º, I, VII);

b) meio ambiente cultural: constituído pelo patrimônio cultural, artístico, arqueológico, paisagístico, manifestações culturais, populares, etc. (art. 215, §1º e §2º);

c) meio ambiente artificial: conjunto de edificações particulares ou públicas, principalmente urbanas (art. 182, art. 21, XX e art. 5º, XXIII); e

d) meio ambiente do trabalho: conjunto de condições existentes no local de trabalho relativos à qualidade de vida do trabalhador (art.7, XXII e art. 200, VIII).





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"O conceito de meio ambiente é unitário, na medida que é regido por inúmeros princípios, diretrizes e objetivos que compõem a Política Nacional do Meio Ambiente. Entretanto, quando se fala em classificação do meio ambiente, na verdade não se quer estabelecer divisões isolantes ou estanques do meio ambiente, até porque, se assim fosse, estaríamos criando dificuldades para o tratamento da sua tutela.

Mas exatamente pelo motivo inverso, qual seja, de buscar uma maior identificação com a atividade degradante e o bem imediatamente agredido, é que podemos dizer que o meio ambiente, apresenta pelo menos quatro significativos aspectos. São eles:

1) natural;
2) cultural;
3) artificial e
4) do trabalho.

Desta forma, não estamos pretendendo fazer um esquartejamento do conceito de meio ambiente. Ao contrário, apenas almejamos dizer que as agressões ao meio ambiente (rectius= bem; ambiental= proteção da vida com saúde) podem se processar sob os diversos flancos que o meio ambiente admite existir.

Neste diapasão, releva dizer que sempre o objeto maior tutelado é a vida saudável e, se é desta forma, esta classificação apenas identifica sob o aspecto do meio ambiente (natural, cultural, trabalho e artificial) aqueles valores maiores que foram aviltados.

Aliás, como já tivemos oportunidade de salientar, esta divisão do meio ambiente não é de lege ferenda, vez que de lege lata está presente no Texto Constitucional. Portanto, para fins didáticos e de compreensão, podemos dizer que o meio ambiente recebe uma tutela imediata e outra mediata. Mediatamente, seria o próprio artigo 225 "caput", que determina o conceito de meio ambiente, bem ambiental, o direito ao meio ambiente, os titulares deste direito, a natureza jurídica deste direito, princípios de sua política (PNMA junto com a lei 6.938/81), etc. Assim, bastaria esta norma para que já se efetivasse por completo o direito em tela.


Todavia, o legislador constituinte não parou por aí, já que procurou, por via destas divisões, que não são peremptórias ou estanques, alcançar a efetiva salvaguarda deste direito, fazendo, pois, o que didaticamente denominamos de tutela imediata."

Meio ambiente artificial

Por meio ambiente artificial entende-se aquele constituído pelo espaço urbano construído, consubstanciado no conjunto de edificações (espaço urbano fechado) e dos equipamentos públicos (espaço urbano aberto). Assim, vê-se que tal "tipo" de meio ambiente está intimamente ligado ao próprio conceito de cidade, vez que o vocábulo "urbano", do latim urbs, urbis significa cidade e, por extensão, os habitantes da cidade. Destarte, há de se salientar que o termo urbano neste sede não está posto em contraste com o termo "campo" ou "rural", já que qualifica algo que se refere a todos os espaços habitáveis, "não se opondo a rural, conceito que nele se contém: possui, pois, uma natureza ligada ao conceito de território".

No tocante ao meio ambiente artificial podemos dizer que, em se tratando das normas constitucionais de sua proteção, recebeu tratamento destacado, não só no artigo 182 e segs. da CF, não desvinculado sua interpretação do artigo 225 deste mesmo diploma, mas também no art. 21, XX, no art. 5º, XXIII, entre outros.

Portanto, não podemos desvincular o meio ambiente artificial do conceito de direito à sadia qualidade de vida, bem como aos valores de dignidade humana e da própria vida, conforme já fizemos questão de explicar. Todavia, podemos dizer, para fins didáticos, que o meio ambiente artificial está mediata e imediatamente tutelado pela CF.

Mediatamente, como vimos, a sua tutela expressa-se na proteção geral do meio ambiente, quando refere-se ao direito à vida no art. 5º, caput, quando especifica no art. 225 que não basta apenas o direito de viver, mas também o direito de viver com qualidade; no art. 1º, quando diz respeito à dignidade humana como um dos fundamentos da República; no art. 6º, quando alude aos direitos sociais, e no art. 24 quando estabelece a competência concorrente para legislar sobre meio ambiente, visando dar uma maior proteção a estes valores, entre outros. Assim, neste diapasão, de modo didático em relação ao meio ambiente artificial, poderíamos dizer haver uma proteção mediata. Reservaríamos a proteção constitucional imediata do meio ambiente artificial aos artigos 182, 21, XX e 5º, XXIII.

Ao cuidar da política urbana, a CF/88, invariavelmente, acabou por tutelar o meio ambiente artificial. E o fez não só voltada para uma órbita nacional como também para uma órbita municipal. Partindo do maior para o menor temos o art. 21, inciso XX:

"Compete a União:(...)

XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos".

Tal competência da União terá por fim delimitar as normas gerais e diretrizes que deverão nortear não só os parâmetros, mas principalmente os lindes constitucionais da política urbana que os Estados e Municípios deverão possuir. Neste caso diz tratar-se de uma política urbana macroregional.

Todavia, em sede municipal, temos o artigo 182 da CF, que acaba por trazer a própria função da política urbana, como se vê:

"A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público Municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em Lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes".

Percebe-se que o próprio Texto Constitucional alude à existência de uma lei fixadora de diretrizes gerais e, ademais, desde já, estabelece o verdadeiro objetivo da política de desenvolvimento urbano, qual seja, o desenvolvimento das funções sociais da cidade e o bem-estar dos seus habitantes.

Invoca-se, de plano, que em sendo a cidade entendida como o espaço territorial onde vivem os seus habitantes, que inclusive o direito de propriedade deverá ser limitado, no exato sentido que deverá atender às suas funções sociais, como bem esclarece o art. 5º, XXIII da própria CF. Na verdade, o que ocorre é que em sede de direito à vida, que é o sentido teológico dos valores ambientais, matriz e nuclear de todos os demais direitos fundamentais do homem, não há que se opor outros direitos. Ao revés, todos os demais direitos surgem da própria essência do estar vivo.


Exatamente porque relacionado com o objetivo maior - vida - , a tutela do meio ambiente - onde se insere o artificial - há que estar acima de quaisquer outras considerações a respeito de outras garantias constitucionais como: desenvolvimento, crescimento econômico, direito de propriedade, etc. Isto porque, pelo óbvio, aquela é a essência e pressuposto de exercício de qualquer direito que possa existir, e, neste ponto, a tutela ambiental, por possuir a função de instrumentalizar a preservação de tal direito, deve, inexoravelmente, sobrepor-se aos demais.

Aduz-se, por exemplo, esta conclusão, quando de uma rápida leitura do artigo 170, que coloca a proteção ao meio ambiente como princípio da ordem econômica, ou ainda, mais expressa e diretamente, quando no artigo 5º, XXIII, atrelado à proteção do direito à vida estabelecido no caput, determina que a propriedade deverá atender a sua função social.

Com relação ao artigo 182, podemos desde já destacar que não se trata simplesmente de uma regra de desenvolvimento urbano mas também de estabelecer uma política de desenvolvimento, ou seja, assume fundamental importância na medida que deve estar em perfeita interação com o tratamento global reservado ao meio ambiente e a defesa de sua qualidade. Destarte, significa ainda que o desenvolvimento urbano deverá ser norteado por princípios e diretrizes que orientem a sua consecução, ou seja, por se tratar de matéria afeta ao meio ambiente, são estes, e não outros princípios, que deverão nortear sua implementação. Aliás, outro não é entendido quando de uma análise dissecada da norma in baila.

Dois são os objetivos da política de desenvolvimento urbano:

a).-pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e
b).-garantia do bem estar de seus habitantes.

a) em se tratando de desenvolvimento, que há de ser pleno, das funções sociais da cidade devemos nos reportar, inicialmente, ao art. 5º, caput, quando estabelece que todos possuem direito à vida, segurança, liberdade, igualdade e prosperidade; e, posteriormente ao art. 6º da CF, que estabelece e garante a todos os direitos sociais à educação, saúde, trabalho, lazer, segurança, previdência social, maternidade, infância, assistência aos desempregados, entre outros, e por fim, ao art. 30, VIII, que diz ser competência do Município, no que couber, o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.



Tudo isso, ligado ao fato de que possui o Município a competência suplementar residual (art. 30, I e II) em face das matérias estabelecidas no artigo 24, I, V, VI, VII, VIII, XII, XV, nos faz notar que a função social das cidades está ligada às normas citadas acima e, portanto, ao próprio artigo 225, de forma que o direito à vida com saúde, com lazer, com segurança, com infância, com a possibilidade de maternidade, com direito ao trabalho, com direito à propriedade, etc., devem ser condições sine qua non da própria existência da cidade.


O não atendimento desses valores implica em dizer que a cidade não cumpre o seu papel. Num sentido reverso, podemos ressaltar que, por se tratar de uma obrigação do Poder Público, a execução deste programa de desenvolvimento urbano, como bem diz o artigo 182, é um direito da coletividade municipal. O desatendimento desses preceitos implica em impor-se ao Poder Público a responsabilidade que daí decorre. Apesar da inequívoca conclusão a que chegamos, isso não elide o dever também da coletividade de preservar e defender o meio ambiente urbano, já que tal regra é orientada pelo artigo 225, e assume o caráter de norma geral.

b) com relação a garantia do bem estar dos seus habitantes, vale gizar que tal finalidade e objetivo da política de desenvolvimento urbano, assume o papel de um "plus" em relação ao desenvolvimento da função social das cidades. Isto porque não basta simplesmente que o Poder Público, na execução da referida política alcance os ideais elencados no parágrafo anterior, mas que, principalmente, estes valores traduzam e alcancem em relação aos seus habitantes, o patamar elevado de bem-estar. Percebe-se que com isso, não se cria um limite fixo de direito ao lazer, à saúde, à segurança, etc., justamente porque é tudo isso somado a sensação de bem-estar de seus habitantes. Não procede qualquer crítica ao conceito jurídico indeterminado, justamente porque a sua função é de buscar um "plus" na execução da política urbana. Ao não se criar um patamar mínimo de garantia de valores sociais, está se exigindo, sempre, de forma permanente, a busca pelo Poder Público destes valores sagrados à coletividade. Outra consideração não menos importante, diz respeito ao uso do termo habitante que, agrega só aquele que é domiciliado ou residente na cidade, mas a qualquer indivíduo que esteja naquele território.

Conforme se vê, o Poder Público Municipal recebeu do Texto Constitucional o poder de promover o adequado ordenamento territorial (art. 30, VIII) e o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantia do bem-estar dos seus habitantes (art. 182 da CF). de acordo com o planejamento e controle do uso do parcelamento e da ocupação do solo urbano, observadas as diretrizes de Lei Federal.


O uso do solo urbano e funções sociais da cidade estão atrelados, já que é naquele que esta se projeta, externando-se em formas e ocupação do seu uso para fins residenciais, industriais, comerciais, institucionais, religiosos, turísticos, recreativos, viário, etc.


Ademais, neste ponto, o Zoneamento Urbano, como uma das formas de instrumentalizar a proteção instrumental urbana, assume sobranceira relevância quando deduzimos que um dos seus objetivos não é outro senão a proteção da própria vida da população e a busca da sua qualidade, na medida em que separa as atividades incômodas em áreas de uso exclusivo, de modo a preservar o meio ambiente urbano de emissão de poluentes. Apesar de paliativa, é medida que não pode ser dispensada.


Tal como o Zoneamento, não pode ser prescindido, mormente em caso de poluição oriunda de lixo no solo urbano, o manejo do solo urbano. Neste ponto, acertadamente posiciona-se José Afonso da Silva (Direito Ambiental Constitucional, pág. 76): "O solo urbano se destina ao exercício das funções sociais da cidade, basicamente destinado ao cumprimento das chamadas funções elementares do urbanismo: habitar, trabalhar, circular e recrear. Seu manejo é função do plano diretor municipal e de outras normas de uso e controle do solo, tal como consta da Constituição Federal, segundo a qual é da competência dos Municípios promover o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano (art. 30, VIII), cumprindo também ao Poder Público Municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não edificado, subutilizado ou não utilizado que promova o seu adequado aproveitamento, sob sanções referidas no art. 182, § 4º da mesma magna carta. (...) A exigência da remoção dos resíduos sólidos compreende a adequada destinação do lixo, vedação de depósito de lixo a céu aberto, a proteção dos mananciais, a vedação do plano de parcelamento do solo urbano em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde, em terrenos com declividade igual ou superior a 30% em terrenos onde as condições geológicas desaconselhem edificação, e, em áreas de preservação ecológica ou naquelas onde a poluição impeça condições suportáveis (Lei 6.766/79, art. 3º, parágrafo único)".


Fonte: Ecolnews (leia mais sobre legislação ambiental aqui)

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Vários Aspectos do Meio Ambiente

Sempre que ouvimos ou lemos a expressão Meio Ambiente nos vêm à mente imagens da floresta amazônica ou do oceano, de espécies em risco de extinção, de fábricas poluidoras. Mas não mudaria sua forma de pensar o mundo que o cerca se você soubesse que no momento que lê este artigo (sentado em frente ao computador no seu quarto, no escritório, na faculdade) você está inserido em um meio ambiente?

Esta idéia de meio ambiente como sinônimo de natureza é apenas um dos aspectos do Meio Ambiente, hoje definido como meio ambiente natural. O chamado meio ambiente natural, ou físico, engloba ar, água, solo, subsolo, flora e fauna. Talvez seja o primeiro do qual nos recordamos por sua condição primordial: a ausência de preservação ou de utilização racional dos recursos ambientais de nosso planeta pode trazer conseqüências catastróficas. Cenários antes apenas imaginados em filmes futuristas de gosto duvidoso, com a Terra transformada em um imenso deserto e pessoas travando lutas mortais pelas fontes de água, agora se tornaram preocupação patente para a Organização das Nações Unidas (ONU) com a diminuição dos níveis de água potável, através da ocupação das áreas de mananciais e da poluição dos reservatórios existentes. A consciência ambiental e o controle governamental aliados ao apoio da população podem, todavia, adiar ou mesmo contornar este e outros reveses sofridos por nossos rios, matas, fauna etc.

Ao lado do meio ambiente natural, temos o meio ambiente construído, ou artificial, aquele produzido pela ação do homem ao transformar a natureza: as cidades. Há cidades que nos parecem limpas, arborizadas, bonitas, pois tiveram seu crescimento planejado, e outras, que ao crescerem desordenadamente, levam-nos a pensar que seus prédios se acotovelam por uma beira na calçada. A planejada ocupação do solo urbano, determinando as limitações ao direito de construir, informa como a cidade irá crescer e para onde, como fluirá o trânsito, onde estarão localizadas as áreas verdes para o lazer tão necessário a seus habitantes. Um meio ambiente construído sadio contribui para o bem estar da população que ali vive; e, ao contrário, um meio ambiente artificial hostil gera não apenas sensação de angústia em seus habitantes como também termina por levar ao abandono e descaso e, não rara vezes, à agressão para com o espaço público.

O patrimônio cultural de um povo constitui-se em seu meio ambiente cultural e este conceito engloba, segundo definição da própria Constituição da República Federativa do Brasil, o que faz "referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico." A preservação e valoração da cultura de um povo, implica, em última instância na preservação e valoração deste próprio povo.

E por último, temos o meio ambiente do trabalho. A expressão se refere ao local onde as pessoas exercem suas atividades laborais. O meio ambiente do trabalho envolve as instalações físicas do local (ventilação, iluminação natural ou artificial, ruídos, móveis, maquinário etc.) que devem oferecer um ambiente saudável para a prestação do serviço, bem como deve ser minimizada a possibilidade de contato com qualquer agente químico ou biológico que traga riscos à saúde do trabalhador. Um meio ambiente de trabalho sadio proporciona a manutenção da saúde do trabalhador, por sua vez, um meio ambiente de trabalho agressivo leva ao surgimento de doenças profissionais e, conseqüente, perda da capacidade laborativa deste trabalhador.

© Texto elaborado por Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil - Advogada, Dra. em Filosofia do Direito e Professora de Direito do Trabalho no Centro Universitário FIEO - UniFIEO e membro da AIDTSS - Associação Iberoamericana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Autora do Livro "História do Direito do Trabalho da Mulher".

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Alunos em atividade: Após leitura atenta do texto acima, formule com suas palavras os conceitos de meio ambiente (natural, artificial, cultural, trabalho). Em seguida, procure matérias (come imagens) que ilustrem um deles destacando um meio ambiente sádio e outro degradado. Poste nos comentários desta postagem.

sábado, 30 de maio de 2009

As mudanças do jornalismo ambiental.

Entrevista especial com Wilson da Costa Bueno



As primeiras coberturas específicas do jornalismo ambiental foram feitas após a Segunda Guerra Mundial, quando a questão do meio ambiente ganhou relevância global. Passados mais de quarenta anos desde as primeiras coberturas e reportagens, a prática do jornalismo ambiental ainda engatinha no Brasil. As notícias publicadas estão, direta e praticamente, ligadas apenas à mobilização da sociedade acerca do tema, mas, ainda assim, as ONGs enfrentam dificuldades para publicar seus manifestos e opiniões em todo o País. É nas mídias mais alternativas, como a internet, que o jornalismo ambiental tem maior espaço. Sobre este assunto, a IHU On-Line conversou, por e-mail, com Wilson Bueno. Ele falou sobre o desenvolvimento científico e teórico em relação ao jornalismo ambiental no Brasil, de como deseja mudar a forma como o País trata a prática e de como a questão do meio ambiente deveria ser tratada pela mídia brasileira.

Wilson da Costa Bueno é graduado em Comunicação e especialista em Comunicação Rural, pela Universidade de São Paulo (USP), onde também realizou o mestrado e o doutorado em Comunicação. Atualmente, é professor da Universidade Metodista de São Paulo e diretor executivo da Contexto Comunicação e Pesquisa.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Para o senhor, como está o desenvolvimento científico e teórico em relação ao jornalismo ambiental no Brasil?

Wilson Bueno - O jornalismo ambiental tem, gradativamente, mudado de patamar em relação à qualificação da cobertura, mas ainda encontramos desafios imensos a serem vencidos. Não dispomos, no caso da mídia impressa, de veículos com penetração nacional e dependemos, portanto, para o nosso diálogo com a sociedade dos veículos regionais e locais. Com raras exceções, não há jornalistas capacitados na área nesses veículos e, com isso, a cobertura ainda é precária. Na televisão e no rádio, tem havido algumas mudanças importantes (cito os casos da Globo News, com o excelente trabalho feito pelo André Trigueiro [1], e os do Repórter Eco [2], da TV Cultura, entre outros), mas ainda o meio ambiente é visto como espetáculo, o que é típico da mídia eletrônica. As mídias ambientais, pelo menos as legítimas, têm cumprido um papel importante, especialmente na Web, mas em geral tem atingido pessoas já despertas ou comprometidas com a temática. As universidades ainda não acordaram para a formação na área e há poucos cursos (uns cinco no máximo) na graduação e raras linhas de pesquisa ou projetos na pós-graduação. Mas aposto que a situação deve mudar nos próximos anos, se nós fizermos o trabalho bem feito e não assumirmos o meio ambiente como mais uma pauta que dá audiência.

IHU On-Line – Alguns de seus alunos afirmam que o senhor deseja mudar a forma como o jornalismo ambiental é feito no Brasil. O jornalismo ambiental brasileiro é fragmentado? De que forma ele precisa ser melhorado?

Wilson Bueno - O jornalismo ambiental precisa mudar por vários aspectos. Em primeiro lugar, não se pode praticar o jornalismo ambiental sem compromisso, apostando numa pretensa neutralidade, objetividade etc. Em segundo lugar, o jornalismo ambiental não pode focar-se apenas no aspecto técnico, porque o importante, se quisermos efetivamente trabalhar para a solução dos problemas, é perceber as conexões entre o meio ambiente, a política, a economia, a cultura, a saúde e a sociedade. Esta perspectiva fragmentada, que vem a reboque da cobertura de grandes catástrofes, não contribui para fortalecer o jornalismo ambiental, apenas o coloca na agenda, sem comprometer-se com um debate sério, abrangente, como deve ser. Finalmente, o jornalismo ambiental deve atentar para os grandes interesses que rondam essa área e ter em mente que existe na prática a chamada praga do marketing verde.

Trata-se de uma estratégia de comunicação e de marketing bem orquestrada, sob a responsabilidade de determinadas empresas e segmentos industriais (agroquímica, celulose e papel, biotecnologia, petroquímica, mineração etc), que têm como objetivo manipular a opinião pública e escamotear o problema, que é dramático. Quando se identifica uma empresa como a Monsanto (3), presente em nossas escolas, patrocinando uma educação ambiental transgênica; quando se observa a invasão das agroquímicas nos cursos de Agronomia e o lobby poderoso das corporações para que os seus interesses continuem prevalecendo em detrimento do interesse público, não se pode ficar calado. Não queremos que o País se transforme num canavial ou numa imensa plantação de eucaliptos.

IHU On-Line – Como o jornalista ambiental deve contextualizar a população sobre esse modelo desenvolvimentista?

Wilson Bueno - O jornalista deve trabalhar adequadamente os conceitos (plantação de eucaliptos não é floresta, nunca será; as mineradoras não produzem minério, apenas o extraem e assim por diante), evitar o sensacionalismo presente na cobertura das catástrofes ambientais, cada vez mais comuns, buscar fontes independentes, valorizar o conhecimento tradicional, denunciar os lobbies e ficar atento à ação de agências e assessorias que fazem o trabalho sujo de limpeza de imagem de empresas predadoras. O jornalista não pode ficar em cima do muro. Ele deve tomar partido, porque, afinal de contas, o Planeta está mesmo sendo destruído, aqui e lá fora. A farsa da redução do desmatamento no Brasil, as soluções cosméticas e cínicas que pregam a neutralização do carbono como aval para a continuidade da poluição, o uso indiscriminado de agrotóxicos e o cinismo de empresas como a Monsanto (transgênicos vão mesmo matar a fome ou encher o bolso de seus acionistas?) precisam ser denunciados. Temos que defender uma perspectiva plural, não transgênica, não celulósica, não agroquímica. O jornalista precisa esclarecer a população sobre o mito do desenvolvimento sustentável e colocar a mão na ferida: o modelo de desenvolvimento é insustentável e pronto e não há saída se não usarmos o bisturi. Com mertiolate e band-aid, a sangria não estanca.

IHU On-Line – A cobertura sobre meio ambiente na imprensa brasileira tem crescido, pautada principalmente por temas polêmicos, como transgênicos, mudanças climáticas, biodiversidade e biopirataria. De que forma as mudanças climáticas têm sido abordadas pela mídia nacional e internacional?

Wilson Bueno - A imprensa já fez o seu papel, alertando para os problemas relacionados com as mudanças climáticas, e agora precisa encaminhar bem o projeto para sua solução. Não é plantando árvores depois de poluir o mundo (a campanha da Ipiranga é terrível, porque quer vender gasolina usando o apelo ecológico!) ou apostando que haverá no futuro uma solução tecnológica para a crise que ela irá contribuir para o debate. Não é fazendo apologia do carro biocombustível (quando as pessoas continuam enchendo o tanque com gasolina) ou comendo docinho orgânico que o mundo será salvo. Essa solução fácil, sem dor, não existe e a imprensa precisa trabalhar esta questão de maneira direta. Com neutralidade, não dá. Infelizmente, ela tem recorrido, sobretudo, a fontes comprometidas com os grandes interesses (inclusive pesquisadores financiados pelas corporações) e enreda-se na armadilha que ela mesma tem criado. Ela precisa abrir a pauta, ouvir as ONGs, conversar com os cidadãos, colocar o pé na estrada e ver o que anda acontecendo com as nossas florestas, o cerrado, o mar, os rios etc. Jornalismo ambiental de gabinete não funciona: é, como nós dizemos em São Paulo, frescura. Talvez alguém queira nos convencer de que isso é que neutralidade jornalística.

IHU On-Line – Qual é a sua opinião sobre os fóruns locais sobre o meio ambiente? São formas de informar e chegar mais próximo da população ou também fragmentam a informação?

Wilson Bueno - Sim, dependendo evidentemente de quem organiza os fóruns locais (se for a Bayer [4], a Monsanto ou a Aracruz [5] será um horror!), mas o importante é que esta discussão seja mesmo feita localmente, envolvendo a comunidade, tratando, sobretudo das questões que a afligem.

IHU On-Line – O que as pessoas entendem e pensam sobre meio ambiente?

Wilson Bueno - Ainda muito pouco porque os conceitos (sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, agrotóxicos , transgênicos etc.) são mal trabalhados pela mídia e a educação ambiental ainda não ganhou a dimensão devida. A televisão continua fazendo a apologia do consumo não consciente (haja baterias de celulares e fast food!), e as empresas mantêm sua disposição de ludibriar a opinião pública com seus produtos e posturas insustentáveis. É preciso que fique claro: agrotóxico é veneno e não remedinho de planta; plantação de eucalipto não é floresta, porque afronta a biodiversidade e só serve para atender a objetivos comerciais e transgênico usa pesticida, herbicida “pra burro”. O jornalismo ambiental tem um papel importante e esperamos que ele cumpra esse papel. Afinal de contas, a sociedade e a legislação não delegaram privilégios aos jornalistas (como o diploma e a exclusividade do exercício) para que eles façam o jogo do bandido. Jornalismo ambiental e qualquer jornalismo exigem compromisso com o interesse da comunidade. O resto é balela, conversa para boi dormir ou para engordar os lucros de empresas predadoras. Que o governo também assuma o seu papel e não continue utilizando o meio ambiente como plataforma política. Olho vivo com parlamentares verdes (o Partido Verde já amarelou faz tempo!) e com empresas que se proclamam ambientalmente responsáveis. Abaixo o marketing verde!

Notas:

(1) André Trigueiro é um jornalista brasileiro especializado em Jornalismo Ambiental. É repórter e âncora da Globonews. Possui pós-graduação em Gestão Ambiental, pela COPPE/UFRJ. É professor e um dos criadores do curso de Jornalismo Ambiental da PUCRio. É autor do livro Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um Planeta em transformação (Editora Globo, 2005).

(2) O Repórter Eco é uma revista semanal, atual, especializada em meio ambiente. Aborda, de forma aprofundada, pesquisas para o desenvolvimento sustentável e conservação dos biomas brasileiros, proteção da rica diversidade biológica e cultural do País, projetos para manter para o futuro os recursos hídricos, estudos de controle da poluição do ar, solo, terra e água, ecologia urbana, fontes de energia alternativas e renováveis, astronomia, antropologia, arqueologia, arquitetura ecológica, redução, reuso e reciclagem de resíduos sólidos, comércio justo, patrimônio histórico, cultural e arquitetônico e ecoturismo. Além da revista semanal, são produzidos programas temáticos a partir de viagens nacionais e internacionais. O Repórter Eco mantém um quadro específico de reportagens sobre a biodiversidade brasileira.

(3) A Monsanto é uma indústria multinacional de agricultura e biotecnologia. Seus produtos e suas agressivas práticas legais e de lobby têm feito da Monsanto um alvo primário do movimento antiglobalização e de ativistas ambientais.

(4) A Bayer é um conglomerado farmancêutico alemão, conhecido por ser o fabricante da Aspirina.

(5) A Aracruz Celulose é a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, respondendo por 27% da oferta global do produto. Possui uma unidade fabril de Aracruz, em Guaíba no Rio Grande do Sul e em Eunápolis, na Bahia. A Aracruz é criticada internacionalmente por ativistas de movimentos sociais por ocupar terras de povos indígenas e quilombolas. Também é criticada pela poluição das águas e do ar e por causar poluição devido a dioxinas, material cancerígeno gerado pela produção de celulose..

(Fonte: Eco Debate)
Entrevista originalmente publicada pelo IHU On-line, 07/11/2007
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS. ]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A ciência e os suplementos infantis

Ano I - Nº 01 - Abril de 2007



Wilson da Costa Bueno*

Inúmeros jornais e revistas brasileiros têm mantido com sucesso, desde longa data, suplementos destinados às crianças e jovens, geralmente encartados nas suas edições de fins de semana. Embora alguns tenham sido inspirados em uma proposta essencialmente mercadológica, constituem-se (e a sua permanência no mercado indica isso) em espaços importantes de interação com esse segmento de leitores.

O conteúdo destes suplementos é bastante diverso e a sua temática abrange atualidades, educação, ciências, literatura, variedades etc, ou seja, um leque bastante amplo e que varia em termos da prioridade definida pela sua política editorial.

Para os jornalistas e divulgadores científicos, interessa-nos especialmente observar o espaço (quantidade de inserção) e a qualidade das informações sobre ciência e tecnologia presentes nestes veículos.

As pesquisas em comunicação em geral que têm esses veículos como objeto não são comuns no Brasil, mas pelo menos a ANDI – Agência Notícias dos Direitos da Infância tem se preocupado com o seu impacto e contribuição na formação dos jovens e crianças brasileiras A pesquisa Mídia dos Jovens, já repetida em algumas oportunidades, analisa, entre outras mídias, a relevância social das notícias inseridas nos suplementos infantis .

A ciência e a tecnologia, em particular associadas á divulgação de notícias de saúde e mais recentemente de meio ambiente, já ocupam papel de destaque nestas publicações e, ao contrário do que se poderia supor, o uso de fontes especializadas tem crescido, indicando que as informações estão gradativamente sendo qualificadas nestas áreas.

Apesar disso, alguns problemas e desafios precisam ainda ser superados e muitos deles têm sido apontados pelos relatórios da ANDI.

Em primeiro lugar, muitos suplementos infantis não têm bem definido o seu público, ou seja, não sabem se estão se dirigindo a crianças de 8, 10 ou 12 anos e esse dado é fundamental. Afinal de contas, dois ou 4 anos fazem uma diferença enorme neste período da vida porque implicam maior ou menor experiência de vida, volume e nível de informações distintos e, o que é mais importante para os comunicadores, dependendo da idade serão necessários conteúdos (pautas, para usar o jargão jornalístico) e discursos também distintos.

Em segundo lugar, alguns suplementos imaginam a criança ou o jovem a partir de uma perspectiva tradicional e subestimam a sua capacidade de compreender ou de se interessar por determinados temas, preferindo adotar uma visão simplista. Repetem os papais e mamães que insistem em se comunicar com as crianças como se elas fossem eternos bebês, o que, numa sociedade da informação como a que vivemos, é totalmente inadequado.

Em terceiro lugar, praticam a chamada pedagogia da verdade, isto é, apresentam os fatos como se fossem verdades incontestáveis, não estimulando a reflexão, o debate em torno de questões complexas e que não deveriam ser tratadas como “questões fechadas”. Ao longo de sua vida, os jovens irão, gradativamente, percebendo que há sempre visões distintas (muitas vezes antagônicas) sobre um mesmo problema e isso ficará evidente nas discussões sobre células-tronco, aborto, uso da camisinha, vantagens ou desvantagens dos transgênicos, eficácia da homeopatia etc.

As pesquisas da ANDI, particularmente o Relatório de 2002, demonstram também uma preocupação que deveria ser levada absolutamente a sério: o fato de algumas matérias dos suplementos infantis incluirem, de forma velada, mensagens comerciais, ou seja, estarem sutilmente (pelo menos para as crianças, já que não é difícil para adultos atentos perceberem a má intenção destas inserções) promovendo a venda de produtos.

A separação entre o que é conteúdo editorial, independente, comprometido com a cidadania e a relevância social e o que é publicidade deveria estar clara, mas, infelizmente, os nossos empresários da comunicação e editores, em sua maioria, insistem em promover esta confusão ou ambigüidade para atender a interesses de empresas inescrupulosas ou não éticas. E isso não acontece apenas nos suplementos infantis mas nos veículos como um todo.

O marketing voltado para as crianças tem causado um terrível prejuízo para esse segmento, estimulando o consumo não consciente e criando hábitos não saudáveis (como tem sido o caso de empresas que fazem a apologia do fast-food e de bebidas sem qualquer valor nutritivo).

Os suplementos infantis deveriam ser considerados pelos jornalistas científicos como veículos importantes e seria importante que os pesquisadores nas universidades ou fora dela os estudassem melhor e que os profissionais os contemplassem como espaços importantes para a alfabetização científica.

Um equívoco importante, no entanto, é imaginar que os suplementos infantis possam ser utilizados para “aula de ciências” porque se constituem, antes de tudo, em um espaço aberto, livre, criativo que deve promover o estímulo à leitura. Aqui, mais do que nunca, o jornalista científico deve refinar a sua capacidade de contar histórias, de reforçar conceitos e de trazer informações ou conhecimentos que estejam em sintonia com a realidade de vida dos pequenos leitores. Por isso, antes de tudo, é preciso conhecê-los melhor, interagir com eles. O bom suplemento infantil não será jamais aquele que é feito para as crianças, mas com as crianças. Aí está um desafio prazeroso que valeria a pena encarar.

*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e professor de Jornalismo da ECA/USP. Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.


Fonte: Jornalismo Científico

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jornalismo Ambiental

O Jornalismo Ambiental, com um desenvolvimento marcante nos últimos anos, em função da inclusão da Ecologia como pauta diária nos veículos de informação, compreende a divulgação de fatos, processos, estudos e pesquisas associadas à preservação do meio ambiente e da diversidade.


No Brasil, ele se manifesta nos veículos tradicionais (jornais e revistas de circulação nacional), mas também a partir de iniciativas relevantes, como o premiado Jornal do Meio Ambiente, de Vilmar Berna, e do Terraamérica, comandado, no Brasil, pela competente equipe da Envolverde.


Inúmeras ONGs ambientalistas também o praticam e pode se identificar, nesta modalidade de jornalismo, o caráter positivo da militância, isto é, quando identificado com a causa ambiental (e deveria ser sempre assim), o jornalismo ambiental é engajado, comprometido, o que não significa que deva forjar os fatos ou manipular a verdade para fazer valer a sua opinião. É importante não deixar de mencionar o Greenpeace, a WWF e a SOS Mata Atlântica, como representantes deste universo e, a partir delas, reverenciar todas as outras entidades que vêm fazendo, com competência e entusiasmo, este trabalho.


Recentemente, polêmicas travadas em virtude de alguns temas candentes, como os transgênicos, a biopirataria como ameaça à diversidade e à soberania nacionais, o aquecimento global (efeito estufa e subtemas equivalentes) e a segurança alimentar (que o diga a vaca louca!) trouxeram novo impulso ao Jornalismo Ambiental.


O Jornalismo Ambiental e o Jornalismo em Agribusiness tem áreas de intersecção importantes, mas não se confundem: o primeiro refere-se também a temas que, em princípio, nada tem a ver com o agronegócio, como a questão do lixo urbano, a poluição industrial, os edifícios doentes e assim por diante. Quando recorre a temas, como transgênicos, agrotóxicos, desmatamento, segurança alimentar, evidentemente as diferenças, entre um e outro, são menos perceptíveis, embora o Jornalismo Ambiental veja estas questões sempre sob uma perspectiva crítica, o que pode não ocorrer no Jornalismo em Agribusiness, se comprometido com os interesses das grandes empresas.


O Jornalismo Ambiental tem uma atuação fundamental na Web e podemos destacar, também, o grupo de colegas atuantes no ECOM - Ecologia & Comunicação, a equipe da Embrapa Meio Ambiente, com sua atuação e seu informativo sempre atualizado, e inúmeros colunistas (Jornal do Brasil, O Povo/CE etc). 


Referência obrigatória é o grupo de discussão sobre jornalismo ambiental, integrado por mais de duas centenas de profissionais, pesquisadores e estudiosos da área, que se caracteriza pelo dinamismo e pela relevância das informações trocadas na rede (jorn-ambiente@yahoogrupos.com.br). Outra fonte fundamental é a Rede dos Jornalistas Ambientais Brasileiros (www.jornalismoambiental.jor.br)



domingo, 1 de fevereiro de 2009

Jornalismo Científico e democratização do conhecimento

Jornalismo Científico: teoria e prática


A Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) completou em 2007 seus 30 anos de fundação, realizando, em São Paulo, o IX Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. O evento reuniu experiências brasileiras de divulgação científica em mesas-redondas e apresentação de trabalhos (cerca de 40 no total), compondo um mosaico plural do ensino, da pesquisa e da prática do Jornalismo Científico brasileiro. Apesar do apagão aéreo e de outras dificuldades vivenciadas pelos colegas da área (preço elevado de hotéis e de passagens, não liberação pelas chefias etc), cerca de 150 congressistas estiveram presentes.

O Jornalismo Científico continua ativo no País, apesar dos inúmeros desafios e dos obstáculos que ainda necessita enfrentar.


Simplificadamente, o Jornalismo Científico compreende a veiculação, segundo os padrões jornalísticos, de informações sobre ciência, tecnologia e inovação e se caracteriza por desempenhar inúmeras funções.

Em primeiro lugar, ele cumpre o papel, absolutamente indispensável num país onde o ensino formal de ciências é precário, de contribuir para o processo de alfabetização científica, permitindo aos cidadãos tomar contato com o que acontece no universo da ciência e da tecnologia. Trata-se de uma função eminentemente pedagógica a ser cumprida pela mídia, complementar ao da educação, e que atinge não apenas aqueles que já deixaram a escola, mas sobretudo os que estão dela excluídos por inúmeros motivos.

Em segundo lugar, esta divulgação pelos meios de comunicação de massa promove a democratização do conhecimento científico, ampliando o debate sobre temas relevantes de ciência e tecnologia. Se realizada com compromisso e espírito público, ela convoca os brasileiros para participar do processo de tomada de decisões e retira de uma elite (que normalmente se beneficia das benesses do progresso técnico) o poder exclusivo de decidir onde, quanto e como investir em ciência e tecnologia. Esta função se reveste de caráter político (não partidário) no seu sentido mais amplo porque favorece a explicitação dos interesses envolvidos no financiamento, produção e aplicação da ciência e da tecnologia.

Finalmente, o Jornalismo Científico abre oportunidade para que os centros produtores e financiadores de ciência e tecnologia (e os pesquisadores em particular) possam prestar contas à sociedade dos investimentos realizados em pesquisa e desenvolvimento, essenciais para a soberania de uma nação.

Tradicionalmente, a literatura em Jornalismo Científico (que não é generosa no Brasil) concentra-se, prioritariamente, em discutir a relação entre cientistas/pesquisadores e jornalistas/divulgadores de ciência ou explora a dificuldade de adaptação do discurso científico, geralmente hermético, ao universo da maioria dos cidadãos, relegando a segundo plano outras temáticas não menos importantes.

É evidente que ainda existem incompreensões (apesar de termos avançado muito nos últimos anos) entre quem faz e quem divulga ciência no Brasil, especialmente porque estamos nos referindo a dois sistemas de produção bastante distintos e com características peculiares (a ciência e a tecnologia e o Jornalismo). Estas incompreensões diminuem sensivelmente (a experiência nos revela isso) quando cada um dos lados passa a ter uma visão mais lúcida do outro e, particularmente, quando pesquisador e jornalista estão identificados com os mesmos objetivos: a alfabetização científica e a democratização do conhecimento, por exemplo.

É forçoso reconhecer também que não é tarefa fácil trazer temas complexos de ciência e e tecnologia para o dia-a-dia das pessoas, especialmente quando elas não estão familiarizadas com os conceitos básicos da área, mas isso é possível com esforço, talento e competência. É sobretudo realizável quando jornalistas/divulgadores e cientistas/pesquisadores trabalham em parceria e estão empenhados em cumprir adequadamente este papel.

A literatura não tem, no entanto, dado conta de uma realidade que merece ser sempre considerada na produção e divulgação da ciência e da tecnologia: a conjugação de interesses de toda ordem (políticos, econômicos, militares, empresariais etc) que, gradativamente, constrangem e penalizam a qualidade destes dois processos (produção e divulgação). Basta lembrar que o maior esforço de pesquisa e de desenvolvimento está hoje a serviço de interesses militares e que o investimento em determinadas áreas (saúde, biotecnologia etc) tem por fim, prioritariamente, favorecer grandes corporações (ou seja o lucro) e não os cidadãos de maneira geral.

A divulgação científica tem estado cada vez mais cerceada pelos contratos de exclusividade (sigilo de informações) firmados entre universidades e institutos de pesquisa com empresas privadas e públicas. Pode-se dizer, sem medo de cometer injustiças, que a ciência e a tecnologia de ponta estão a mercê do capital e não do interesse público, apesar do discurso de governos e empresas que pregam a cidadania, o compromisso com a sociedade, mas estão apenas interessados em atender os seus acionistas.

A ciência e a tecnologia são mercadorias valiosas e não estão necessariamente, como sempre se buscou acentuar nos colégios, a serviço da humanidade porque, muitas vezes, têm a ver mais com os objetivos do complexo militar, industrial, financeiro etc. É certo que, pelo menos grande parte da pesquisa brasileira, realizada por investigadores individuais ou em pequenas equipes nas universidades e centros de pesquisa, ainda assume uma perspectiva positiva, desvinculada de outros interesses extra-científicos, mas o cenário vai pouco a pouco se modificando com o aumento da complexidade dos projetos e a necessidade de recursos para sua realização.

É preciso, em alguns casos, tomar cuidado com algumas fontes suspeitas que, travestidas de titulação acadêmica e respaldadas em prestígio derivado dos seus trabalhos de pesquisa, não passam de porta-vozes dos grandes interesses comerciais. Será sempre interessante verificar quem anda financiando estes "PHDs com bocas alugadas" que comparecem às redações, apresentados por agências de comunicação, para veicular pretensas notícias científicas que nada mais são do que propaganda de determinadas empresas ou setores. Quem se propõe a fazer isso (seguir o dinheiro - "follow the money", como dizem os americanos) descobrirá atrás do noticiário sobre transgênicos (cuidado com o CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia!) a mão das multinacionais que andam promovendo o monopólio das sementes e vociferando contra a biodiversidade.

Nem sempre é saudável acreditar em empresas que têm santo no nome ou que proclamam os seus "embaixadores ambientais". Há uma ciência e uma tecnologia comprometidas atrás dos releases e do noticiário que se originam de algumas fontes. Uma pista: se uma empresa agroquímica, mineradora ou de celulose incorpora o discurso da sustentabilidade em sua divulgação, mesmo apoiada no depoimento de um especialista, não caia no logro: tem, como diz o ditado, gato na tuba, ou seja, estão querendo passar a perna em todos nós. Não confunda ciência com marketing verde porque nem sempre "a química está a serviço da vida" e fabricar cigarro será sempre produzir droga, independente dos prêmios recebidos pelo "relatório social" da indústria tabagista.

No mundo inteiro - e não apenas no Brasil - as empresas estão cada vez mais próximas das universidades e centros de pesquisa e, ressalvadas as exceções, muitas acabam, pela fragilidade das nossas instituições de ensino e pesquisa, se apropriando do conhecimento nelas desenvolvido com intenções meramente comerciais. Grupos de pesquisa, formados com dinheiro público, se transferem para empresas privadas e continuam desenvolvendo projetos relevantes que beneficiam mais as organizações que os financiam do que a sociedade. Quem se lembra da relação entre a Novartis , uma poderosa indústria farmacêutica, e um instituto voltado para a pesquisa da biodiversidade na Amazônia (consulte com a palavra-chave "Projeto BioAmazônia Novartis" no Google e ficará surpreso com o que vai encontrar por lá), pode imaginar o que tende a ocorrer, se não houver uma vigilância permanente sobre essa interação nem sempre transparente e ética entre empresas e centros geradores de ciência e tecnologia.

A ciência e a tecnologia precisam estar comprometidas com o interesse dos cidadãos que as financiam e, especialmente no Brasil, as instituições de ensino e pesquisa que são subsidiadas pela sociedade têm a obrigação de prestar contas dos recursos investidos em ciência e tecnologia. Merecem menção sob este aspecto entidades como a Fapesp (referência internacional no apoio a projetos de pesquisa mas também em divulgação científica) e alguns institutos e empresas de pesquisa que promovem tanto a produção como a divulgação de ciência e tecnologia (a Fiocruz e a Embrapa são exemplos modelares). Outras entidades estaduais (Fapemig, Faperj etc) também merecem ser lembradas pelo mesmo trabalho, especialmente porque, pouco a pouco, buscam dar visibilidade aos projetos que financiam, cumprindo a função primordial de prestar contas dos investimentos realizados com recursos públicos.

O Jornalismo Científico ganhou novo impulso com a internet e multiplicam-se felizmente as publicações na internet (a revista ComCiência, do Labjor/Unicamp é excelente!), bem como são dignas de elogios algumas publicações tradicionais de divulgação e Jornalismo Científico, como Ciência Hoje, Revista Pesquisa Fapesp, Scientific American Brasil e mesmo as de maior tiragem, como Galileu e Superinteressante. É preciso ressaltar que esta última tende, infelizmente neste momento, a se desviar um pouco desta área, seduzida pelo apelo comercial do esoterismo, de temas sensacionais e/ou sensacionalistas e do espírito de almanaque, embora cumpra um papel fundamental junto aos jovens, seu principal público-alvo.

A divulgação científica também tem sido estimulada pela iniciativa de editoras e autores (ainda tímida no Brasil) de publicar livros sobre temas de ciência para os nossos jovens e as nossas crianças. É imperioso destacar, neste momento, o trabalho realizado pela Oficina de Textos, uma editora paulista que tem publicado obras de divulgação sobre temas de ciência atuais e relevantes, premiando a nossa juventude.

Não se pode deixar de mencionar o trabalho competente e pioneiro coordenado pelo prof. Ildeu de Castro Moreira , no MCT, com a realização de pesquisas (lembremos, por exemplo, a investigação recente sobre a percepção da ciência e da tecnologia pelo brasileiro), apoio a projetos e contribuição efetiva ao aumento da massa crítica na área da divulgação científica no Brasil.

Finalmente, é preciso reconhecer o apoio que a Universidade Metodista de São Paulo - UMESP tem dado à pesquisa na área, especialmente no seu Programa de Pós-Graduação, que há quase 3 décadas abriga projetos de mestrado e mais recentemente de doutorado em Jornalismo Científico e Comunicação Científica, de maneira geral. Ela é responsável por pelo menos uma centena de dissertações e teses já defendidas neste campo, contribuindo, vigorosamente, para a formação de novos quadros (basta lembrar que dos 5 diretores da ABJC, 4 têm mestrado ou doutorado pela UMESP e dois são seus professores).

Os exemplos citados merecem ser seguidos porque indicam o caminho adequado para o crescimento do Jornalismo Científico e da divulgação científica no Brasil. A área precisa de apoio permanente para continuar se desenvolvendo porque é vital para a democracia e para a qualificação do debate sobre ciência, tecnologia e inovação. Os exemplos da Fapesp, do Labjor/Unicamp, da UMESP e da Sanofi-Aventis, que emprestaram apoio ao Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico em 2007, merecem ser seguidos.

Sem uma divulgação e um Jornalismo Científico qualificados, a ciência e a tecnologia brasileira que, em muitas áreas, competem com as realizadas nos países chamados hegemônicos, permanecerão distantes dos cidadãos, das autoridades, dos parlamentares, da sociedade de maneira geral. Impedir que isso aconteça é dever de todos nós.


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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

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ALUNO EM ATIVIDADE: Comente o texto acima, explicando por que o jornalismo científico é importante.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Coleção Divulgação Científica da USP

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Divulgação Científica: Olhares
Volume 12


Divulgação Científica: Olhares, Vol. XII da Coleção Divulgação Científica do NJR-ECA/USP, que sedia a Cátedra UNESCO José Reis de Divulgação Científica, foi escrito em homenagem a Crodowaldo Pavan e ao seu patrono José Reis, que citando o poeta Rainer Maria Rilke, dizia que “vivia a vida em círculos crescentes”. Assim viveram os nossos homenageados. Pavan ainda ajudou a selecionar textos, e por isso mantemos seu nome na organização.
Este volume tenta sistematizar posturas, em nome do avanço da divulgação científica brasileira, lançando novos olhares, que vão da Wikipédia aos Blogs. Os organizadores foram Glória Kreinz, Ciro Marcondes Filho e Crodowaldo Pavan, que também é parte da História da Divulgação Científica no Brasil.

Participam ainda o vice-reitor da USP, Franco Lajolo, Octavio Henrique Pavan, os jornalistas e divulgadores científicos Maurício Tuffani e Ricardo Bonalune, os professores Caetano Ernesto Plastino, Nely Bacellar, os divulgadores científicos Rute de Andrade, Marcelo Afonso, Osmir Nunes, entre outros. Estão ainda presentes os textos dos estagiários de Iniciação Científica e dos alunos do curso de Especialização em Divulgação Científica do NJR. Um dos pontos pelo qual se tem o maior carinho é a parte dos depoimentos em homenagem ao Professor Crodowaldo Pavan. Por fim encerramos o livro Divulgação Científica: Olhares com o divulgador e Poeta do Orkut, Marcelo Roque, que representa o Século XXI pela sua atuação na Internet, divulgando poesia/ciência com o uso da informática e com as poesias do poeta e divulgador científico do Século XX, José Reis, nosso patrono.
A Escola de São Paulo de Estudos de Comunicação com textos assinados por Ciro Marcondes Filho e Glória Kreinz é o último artigo do livro. Há agradecimentos aos incentivadores de nosso trabalho, como Vera Helena Vieira, Márcia Rebouças, José Jeremias de Oliveira Filho, Fernando Reis, Maria Julieta Ormastroni, Nair Lemos Gonçalves, aos médicos Julio Abramczyk, José Eduardo Sant’Anna Porto, Fábio Franco, Fernando Campos, Liandra Machado e ao internacional jornalista científico Manuel Calvo Hernando. Os autores agradecem aos amigos pelo incentivo, aos divulgadores científicos em geral, e a todos que atuando em suas áreas de conhecimento são exemplos a serem seguidos.
Lembramos ainda, com saudades, a memória de Crodowaldo Pavan, mestre exemplar, que estará sempre conosco, a quem dedicamos o livro. O 12º volume da coleção que chega agora ao público, Divulgação Científica: Olhares, comemora pesquisadores honrados. É com honra que cumprimentamos nossos leitores.
Há transformações consideráveis que determinam realinhamentos novos no cenário das nações e que indicam, sobretudo, evidentes disparidades na evolução dos países. Citando Crodowaldo Pavan concluímos: ”Esse emprego fantástico do saber se traduz em riqueza material, em poderio e em aumento dos padrões de vida dos povos desses países, não obstante neles existirem bolsões de miséria, desperdícios gigantescos e problemas causados por enfartamento da abundância e por agressões ao meio ambiente. Dois fatos marcantes assinalam as transformações que hoje sucedem no mundo e que seguramente prenunciam a trajetória da economia. Tais fatos são o estabelecimento de grandes blocos integrados de países e, em segundo lugar, o aparecimento dos novos países industrializados da Ásia, no cenário mundial. Seria possível nossos governantes pensarem melhor sobre o assunto?”
E como neste livro lançamos também A ESCOLA DE SÃO PAULO, grupo de estudos de comunicação liderado por Ciro Marcondes Filho, indagamos se seria possível “um novo olhar” sobre nossa realidade cultural que incluísse dos Blogs à Wikipédia, dos livros e autores consagrados à televisão? É possível então consolidarmos juntos novos OLHARES?
Divulgação Científica: Olhares está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail e por telefone (11-3091-4021/4270). É possível, também, enviar o livro por correio.


Divulgação Científica: História Viva
Volume 11


Lançamos agora o XI primeiro volume da Coleção Divulgação Científica, intitulado Divulgação Científica: História Viva. Este título se justifica, e isto tentamos mostrar no transcorrer do volume, mas podemos adiantar que há uma história em torno do NJR/ECA/USP e ela se liga à figura de José Reis, assim como de Crodowaldo Pavan, este ano homenageado pela SPBC. Estamos nessa homenagem, com esta obra da qual ela participa.

Glória Kreinz escreve 
Divulgação Científica: História Viva, título que dá nome à obra em um texto que se articula em partes. Uma primeira parte que apresenta a coleção divulgação científica, uma segunda parte que discute problemas ligados com o ato de divulgar Ciência e Tecnologia. Situar também que este ano tem seu significado próprio para os divulgadores científicos, quando o CNPq votou os comitês temáticos, entre eles o de divulgação científica, em 10 de abril.

Há destaque para a coleção Divulgação Científica, em uma tentativa de a avaliar sua contribuição para sistematizar a divulgação científica como área do conhecimento, a discussão de um possível método pensado em termos de comunicação/ divulgação na sociedade do Séc.XXI, e temas abrangentes da divulgação científica. Termina com homenagem a José Reis.

Em Ciência, História e Educação:Propostas Crodowaldo Pavan diz :“este ensaio tem várias indagações e começa propondo que, através do ensino da ciência, ainda não conseguimos explicar como do “nada” se originou a matéria que, a seguir, deu origem ao Universo no qual hoje vivemos.” Exemplifica suas indagações,e se mostra um cientista do século XXI.

Um dos grandes momentos de seu texto é quando afirma: “Em outras palavras, devemos saudar o fato e utilizá-lo para atenuarmos a maldição bíblica, quando foi dito “ganharás o pão com o suor de seu rosto”. No início do milênio é chegada a vez e a hora de, no Brasil, termos uma sociedade mais justa”. Um texto que vale a pena ser conhecido.
Havia muitos textos do titular da Cátedra UNESCO José Reis de Divulgação Científica da USP para escolher, prof. Ciro Marcondes Filho. Ele já é citado no interior do livro várias vezes em questões teóricas, pois é o titular de teoria da comunicação do departamento de jornalismo da ECA/USP, conhecido no Brasil e exterior por suas obras. Grenoble e Francfurt reconhecem seu trabalho, para só citar os convênios.

Foi escolhido Os estudantes e A política. Ocupamos, a Cátedra e o NJR, o B9. Centro de José Reis, “ nosso Núcleo”. E como diz Marcondes “aqui no campus tudo sempre foi mais disperso. Em 1969 fizemos a tomada do pavilhão B9, onde ocorria um congresso internacional de cinema e Glauber Rocha foi um dos companheiros no fastio da ocupação. Dia e noite esperávamos pela repressão que não veio. Todo o movimento era marcado pelo clima de guerra. O inimigo poderia a qualquer momento nos surpreender e nos tomar de assalto”.Continuamos no mesmo lugar, com nossa história viva. Também ocupamos o B9.

Tem mais ainda em História Viva. Em Pegadas de José Reis, segundo Osmir Nunes ,em 1991, quando o núcleo foi criado, o seu patrono, José Reis, já era uma lenda viva no cenário científico cultural brasileiro. Era a referência que concentrava os ideais dos esforços para a consolidação da idéia do desenvolvimento necessário da divulgação científica no Brasil. Mauro Celso Destácio afirma, em Pela Cultura de Divulgação Científica que para que a ciência seja incorporada, absorvida pela população a ponto de se criar, de fato, uma cultura científica em nosso país, não basta que se façam ações isoladas de divulgação do conhecimento científico. É preciso que haja também uma cultura de divulgação científica.

Há os bolsistas de divulgação científica, alunos do curso de especialização em divulgação científica, história viva da dinâmica do NJR e da Cátedra UNESCO da USP que levam o nome de José Reis. E tem os homens da Internet, Marcelo Roque e Marcelo Afonso que dão o colorido único, cada um na sua especialidade, um com sua poesia, outro no site, tipificando a linguagem do Século XXI. Não perdemos nossa humanidade como queria José Reis. Continuamos fazendo divulgação cientifica com olhos voltados para os outros homens.

Divulgação Científica: História Viva está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail e por telefone (11-3091-4021/4270). É possível, também, enviar o livro por correio.


Feiras de Reis: Cem Anos de Divulgação Científica no Brasil

Volume 10

O Volume X da Coleção Divulgação Científica, do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP, lançado durante a 59ª Reunião da SBPC, se intitula Feiras de Reis, ou Feiras de Ciências feitas por José Reis – é o que procura lembrar este título, uma homenagem aos cem anos do divulgador científico que dedicou sua existência ao jornalismo, à pesquisa, feita no laboratório do Instituto Biológico, e ao trabalho de campo divulgando ciência em diversos cantos do Estado de São Paulo e do Brasil, e também nos jornais.
O livro se inicia com a citação do texto publicado na Folha de S.Paulo de 12 de junho de 2007: “USP comemora centenário de José Reis - Jornalista e cientista, considerado pai da divulgação da ciência no Brasil, completaria cem anos hoje”, explicando:
“As comemorações devem continuar na próxima reunião anual, no mês que vem em Belém na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), entidade que teve Reis entre seus fundadores, além de ter sido seu primeiro secretário-geral.”
O texto é assinado pela Reportagem Local, mas a entrevista foi concedida ao divulgador científico Ricardo Bonalume Neto pelos autores do livro, Glória Kreinz, Crodowaldo Pavan e Ciro Marcondes Filho, no dia anterior, 11/06/2007.
Participam deste livro, com textos complementares, o Prof. Osmir Nunes e a Dra. Nair Lemos Gonçalves, pois ambos completam a pesquisa que desenvolvemos no NJR e na Cátedra UNESCO José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP. Seus textos dão um breve panorama da seriedade da pesquisa que desenvolvem, e do muito que temos pela frente para desenvolver. O livro lembra o historiador e pesquisador Virgílio B. Noya Pinto, que foi orientador do Prof. Nunes, e é dedicado a nomes como Julio Abramczyk, Célio da Cunha, Manuel Calvo Hernando, entre outros.
Como livro comemorativo, Feiras de Reis: Cem Anos de Divulgação Científica no Brasil procura cumprir sua função.
Glória Kreinz faz uma retrospectiva da história da Cátedra UNESCO e do NJR, que têm José Reis como patrono, sua atuação, contribuição e atualidade com as formas de divulgar ciência e tecnologia na sociedade informatizada.
Ciro Marcondes Filho procura ver como a comunicação e a divulgação científica foram afetadas pela cibernética nestes cem anos, citando autores como H. Atlan, I. Prigogine e E. Morin, entre outros.
Crodowaldo Pavan trata da relação prática entre divulgação cientifica e educação colocando problemas atuais e buscando o testemunho de José Reis e da sua impressionante atualidade. Conferir para ver. O centenário começa com esta amostragem de pesquisa. Há muito mais.
Feiras de Reis: Cem Anos de Divulgação Científica no Brasil está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail e por telefone (11-3091-4021/4270). É possível, também, enviar o livro por correio.

Círculos Crescentes: Pesquisa e História na Divulgação Científica Brasileira
Volume 9

O volume IX da Coleção Divulgação Científica tem o nome de CÍRCULOS CRESCENTES: Pesquisa e História na Divulgação Científica Brasileira, em homenagem ao patrono da Cátedra UNESCO José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP, que sempre citava o poeta Rainer Maria Rilke, dizendo que “vivia a vida em círculos crescentes”. Graças a esta visão adotada pelo NJR-ECA/USP, sempre há novos horizontes em expansão.

Este volume tenta sistematizar posturas, em nome do avanço da divulgação científica brasileira, pois José Reis nos ensinou que sistematização e disciplina metodológicas facilitam o trabalho de pesquisa.

No primeiro capítulo, Glória Kreinz faz um panorama geral dos problemas tratados no seu texto, que são: império das imagens e soberania da informática; sentido e conceito de acontecimento gerador; divulgação, redundância e conhecimento; conceitos de conhecimento e saber; o saber e as formas de divulgá-lo; comunicação, divulgação e polêmica; divulgação científica e jornalismo científico, e por fim vida biológica, comunicação e divulgação.

Já Ciro Marcondes Filho trabalha com O Círculo Cibernético, que “formou-se nos Estados Unidos, tendo como seu período mais fecundo os anos entre 1943 e 1953, década dos encontros científicos catalíticos da New York Academy of Science, da Fundação Macy, dos simpósios Hixon, capitaneados principalmente por Warren McCulloch e por Norbert Wiener. O biólogo, físico e matemático austríaco Heinz von Foerster, parente próximo de Wittgenstein, ingressou nesse grupo em 1949, quando participou da conferência “Cibernética: mecanismos de causalidade circular fechada e retroalimentados em sistemas biológicos e sociais”. Von Foerster havia passado sua juventude na proximidade do Círculo de Viena”, diz Marcondes em seu texto.
A parte histórica fica com Crodowaldo Pavan, que também é parte da História da Divulgação Científica no Brasil. Ao final, em anexo, encontram-se textos que marcaram a implantação da Cátedra UNESCO José Reis em Divulgação Científica, no anfiteatro da casa de Cultura Nipo-Brasileira, na Universidade de São Paulo, dia 10 de maio de 2006, escritos pelo vice-reitor Franco Lajolo, e por Célio da Cunha, da UNESCO, intelectuais notáveis e amigos e incentivadores de nosso trabalho.
Círculos Crescentes: Pesquisa e História na Divulgação Científica Brasileira está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900), nas livrarias da editora Paulus e nas da Humanitas e Discurso Editorial (FFLCH-USP: Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo - Prédios da Filosofia e Administração). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.

José Reis: Ciência, Poesia e Outros Caminhos

Volume 8

O oitavo livro da Coleção Divulgação Científica propõe uma inovação em nossa linha de publicações. Traz, como exposição principal, os poemas de José Reis, patrono do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP e também da Cátedra UNESCO José Reis em Divulgação Científica da USP, situada no referido centro de pesquisa.
A sugestão inicial da publicação das poesias de José Reis partiu de Nair Lemos Gonçalves, sua assistente e procuradora, que sempre presenciou o encantamento que o divulgador científico tinha pelo fazer poético, tanto lendo poesias, quanto fazendo-as.
Para seguir o padrão das publicações da Coleção Divulgação Científica do NJR-ECA/USP, a obra traz uma explanação crítica, ligada aos avanços dos estudos sobre uma nova teoria da comunicação e divulgação científica, sofrendo portanto a influência do projeto idealizado por Ciro Marcondes Filho, coordenador geral do NJR.
O texto teórico escrito por Glória Kreinz, revendo os acontecimentos e movimentos que permeiam a poesia de José Reis, trabalha a relação “coisa/mundo”, que aparece tanto nas citações de Martin Heidegger como de José Reis, assim como a paixão de Reis e Heidegger pelo poeta alemão Novalis.
Crodowaldo Pavan usa o tom coloquial para fazer uma homenagem ao amigo de muitos eventos e esclarece passagens ligadas à história da divulgação científica no Brasil, que merecem maior detalhamento, no intuito de aperfeiçoar projetos para o futuro de um país como o nosso. Foi com emoção que Pavan aceitou a proposta da publicação das poesias de Reis, e elogiou muito a seleção feita pela divulgadora científica Nair Lemos Gonçalves.
O trabalho de apoio contou com toda a equipe do NJR-ECA/USP, como o prof. Osmir Nunes, que apresentou dissertação de mestrado sobre a obra de José Reis, Claudenir Módulo Alves, responsável pela divulgação de eventos, Mauro Celso Destácio, sempre atento ao trabalho de correção dos textos, Everton Magalhães V. Santos e Raquel Nunes, incansáveis na digitação, e Diego Junqueira Torres, responsável pela confecção final do livro, que traz a marca de seu carinho e responsabilidade editorial.
Agradecemos ainda aos pesquisadores Márcia Rebouças, Waldomiro Vergueiro, Caetano Ernesto Plastino, Valdir José de Castro, Franklin Leopoldo e Silva, José Jeremias de Oliveira, Dalmo de Abreu Dallari, Julio Abramczyk, Célio da Cunha e a imbatível divulgadora científica Maria Julieta Ormastoni... Emocionados, entregamos esta obra aos amigos e leitores...
José Reis: Ciência, Poesia e Outros Caminhos está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900), nas livrarias da editora Paulus e nas da Humanitas e Discurso Editorial (FFLCH-USP: Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo - Prédios da Filosofia e Administração). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.

Congresso Internacional de Divulgação Científica

Volume 7

O sétimo volume da Coleção Divulgação Científica lembra o Dr. José Reis, por ocasião do 2º aniversário de sua morte. Marca também a doação pela família Swenson Reis do ACERVO JOSÉ REIS ao NJR-ECA/USP. Há um ensaio sobre o assunto, no final deste livro, escrito por Osmir Nunes, que mostra, de passagem, o que representa este legado.
Este volume, por conter os Anais do Congresso Internacional de Divulgação Cientifica, foi trabalhado em blocos temáticos, conforme se pode depreender pela sua leitura. Há ensaios sobre novas tecnologias, como os textos de Ciro Marcondes Filho e Luísa Massarani. Marcondes Filho, por exemplo, afirma que “o aparecimento do mundo virtual é uma experiência que ninguém, em toda a história da civilização, conheceu equivalente”. Encontra-se uma aparente segurança, porém “essa segurança acabamos por comprar, pagando com o lado humano”.
Na verdade, o conceito do que seja o humano foi o tema que prevaleceu neste encontro sobre ética e divulgação científica, pois conforme discutiu Dalmo de Abreu Dallari, em seu texto sobre Ética Universal, Dignidade Humana e Avanço Científico, “o ser humano que tem racionalidade, que pensa, que julga, também tem necessidades materiais mais do que óbvias”, mas tem também necessidades intelectuais.
A mídia entra em discussão, e Eugênio Bucci, no ensaio sobre Mídia e Irracionalidade, faz um depoimento provocativo e instigante afirmando: “Chego a dizer que existe uma incompatibilidade entre o que gera a comunicação social na forma de nova economia, a economia do espetáculo, e aquilo que perseguiu a ciência (e os próprios ideais do jornalismo também perseguiram isso), tendo como lastro a razão e a verdade.”
O divulgador científico Manuel Calvo Hernando exemplifica a relação entre divulgação e novas tecnologias, no ensaio A Divulgação Científica e Os Desafios do Novo Milênio, esclarecendo: “Os jornalistas da área de ciência e tecnologia devem estar na vanguarda do uso de tecnologias da informação e comunicações eletrônicas. É o jornalista científico que deve abrir caminhos e explorar novos recursos para seu trabalho de investigação informativa.”
Diversos temas foram debatidos durante o congresso, inclusive os desafios do conhecimento. Carlos Vogt afirma que “um dos grandes desafios do mundo contemporâneo é, ao lado do chamado desenvolvimento sustentável, o da transformação do conhecimento em riqueza.”
Há muito material para ser pensado neste sétimo volume da Coleção Divulgação Científica, e lembramos, com respeito, que o saudoso professor Francisco Romeu Landi estava conosco na abertura do evento, junto com o representante da UNESCO Célio da Cunha e do vice-reitor da USP Hélio Nogueira da Cruz. Estes depoimentos e a homenagem a José Reis são marcos da história da divulgação científica no Brasil, que apresentamos ao público interessado, e aos amigos de sempre.
Congresso Internacional de Divulgação Científica está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900), nas livrarias da editora Paulus e nas da Humanitas e Discurso Editorial (FFLCH-USP: Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo - Prédios da Filosofia e Administração). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.

 

Divulgação Científica: Reflexões

Coleção Divulgação Científica - Volume 6
O livro Divulgação Científica: Reflexões, volume 6 da Coleção Divulgação Científica, traz uma série de artigos que indagam sobre o ato de divulgar ciência e tecnologia em uma sociedade exposta a constantes mudanças. Agradece a Nair Lemos Gonçalves, Luiz Nunes de Oliveira, Célio da Cunha, Pablo Rubén Mariconda, Valdir José de Castro, Marcia M. Rebouças e José Monserrat Filho, por suas ações a favor da divulgação científica no Brasil.
Na primeira parte do livro, “Reflexões”, há uma série de artigos, com temas diferentes, que apontam para problemas específicos que afetam a divulgação da ciência. Glória Kreinz assina “Divulgação Científica na Sociedade Performática”. Ciro Marcondes Filho escreve sobre “Modernidade, Pós-Modernidade e Supercivilização Cibernética”. Crodowaldo Pavan, em “A Tripla Hélice: Deciframento sem Fim”, faz uma resenha de livro de Richard Lewontin. “Explicação Científica” é o tema de Caetano Ernesto Plastino. Já Oswaldo Frota-Pessoa aborda “A Guerra dos Memes”. Mauro Celso Destácio discute as relações entre “Ciência, Escrita e Responsabilidade”, enquanto Yara Coelho apresenta “Clipe Ciência: O Portal do Ensino Médio”. Por fim, “Trabalho Extra-escolar e Tempo Livre” é o título do artigo de Maria Julieta S. Ormastroni.
Na segunda parte do livro, “Depoimentos/Homenagem”, Osmir Nunes reflete sobre “Ação Cultural & Divulgação Científica”. Este artigo introduz uma série de declarações publicadas no jornal Folha de S.Paulo, edição de 17 de maio de 2002, um dia após o falecimento de José Reis, que traz os depoimentos de Adolpho José Melfi, reitor da USP, Ronaldo Sardenberg, José Leite Lopes, Warwick Kerr, Aziz Ab’Saber, Esper Cavalheiro, Ulisses Capozzoli, Rogério Cezar de Cerqueira Leite, Marcelo Gleiser e Glaci Zancan. No dia 19 de maio de 2002, na coluna Plantão, Julio Abramczyk escreveu o texto intitulado “País perde o professor José Reis”, presente no livro, que traz também depoimentos de Jorge Werthein e Célio da Cunha, da Unesco, e Manuel Calvo Hernando, presidente da Asociación Española de Periodismo Científico - AEPC.
Divulgação Científica: Reflexões está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900) e nas livrarias da Humanitas e Discurso Editorial (FFLCH-USP: Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo - Prédios da Filosofia e Administração). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.

Ética e Divulgação Científica: Os Desafios no Novo Século

Coleção Divulgação Científica - Volume 5
Organizado por Crodowaldo Pavan e Glória Kreinz, o livro Ética e Divulgação Científica: Os Desafios no Novo Século foi lançado durante o 1º Congresso Internacional de Divulgação Científica, que ocorreu na USP de 26 a 29 de agosto.
O livro é o quinto volume da Coleção Divulgação Científica, do NJR-ECA/USP, iniciada em 1998 com A Espiral em Busca do Infinito. Nos anos seguintes foram lançados Idealistas IsoladosOs Donos da Paisagem e José Reis: Jornalista, Cientista e Divulgador Científico.
O novo livro é composto de três partes: "Ética", "Os Desafios no Novo Século" e "Depoimentos". Há também um anexo com a cronologia de José Reis e a Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, da UNESCO.
Ética e Divulgação Científica conta com textos de Ciro Marcondes Filho, Oswaldo Frota-Pessoa, Franklin Leopoldo e Silva, Maria Julieta Ormastroni e Waldomiro Vergueiro, além de artigos dos organizadores e demais integrantes do Núcleo, assim como do homenageado, José Reis.
Ética e Divulgação Científica: Os Desafios no Novo Século está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900) e nas livrarias da Humanitas e Discurso Editorial (FFLCH-USP: Rua do Lago, 717, Cidade Universitária, São Paulo - Prédios da Filosofia e Administração). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.

José Reis: Jornalista, Cientista e Divulgador Científico

Coleção Divulgação Científica - Volume 4

ESGOTADO
Neste início de novo milênio, o NJR, visando preservar a memória da divulgação científica brasileira e delinear perspectivas futuras, resgata a história de um dos mais importantes divulgadores científicos do país: José Reis.

Aos 94 anos, o também jornalista e cientista J. Reis tem sua história profundamente ligada à consolidação da ciência brasileira a partir de me-ados do século XX. Hoje continua sua trajetória de divulgador, por meio da coluna dominical Periscópio, no jornal Folha de S.Paulo.

A importância de J. Reis liga-se ao fato de praticar a divulgação científica e refletir sobre esta prática, propondo caminhos teóricos, de forma precisa, como poucos pesquisadores ousaram pensar.

Seus conceitos são atuais e as instituições que ajudou a fundar, tais como a SBPC e a Fapesp, estão atuando vigorosamente na sociedade contemporânea.


Os Donos da Paisagem

Coleção Divulgação Científica - Volume 3
A Coleção Divulgação Científica, em seu terceiro volume, tem como objetivo publicar documentos que apresentam reflexões sobre o ato de divulgar ciência e tecnologia, ao mesmo tempo em que trabalha com a perspectiva histórica de Michel Foucault, segundo a qual há  textos que representam momentos / monumentos, e recuperam a memória nacional.
    Para o professor Ciro Marcondes Filho, atual coordenador geral do NJR, "a concepção que está na base desta proposta deriva das pesquisas que desenvolvemos, podendo-se apostar na função educativa da divulgação científica, e ainda na necessidade de uma nova linguagem, função essa que não se limitaria a repassar monoliticamente idéias e conceitos, mas que apostaria na capacidade de intervenção efetiva e real na base dos conhecimentos dos divulgadores, adicionando-lhes informações que os ensinassem a melhor utilizar seu direito de cidadania, a  respeitar seu semelhante, a tratar com civilidade as questões e os espaços públicos, armando-se contra a violência, e a crescer, enfim, como profissional e como povo".
    Foi nesta perspectiva que este livro foi concebido, além de servir como instrumento de consulta aos pesquisadores e orientação para as oficinas e cursos que oferecemos. Resta dizer que, como sempre, agradecemos nosso patrono e mentor, o divulgador científico José Reis, exemplo de grandeza e luta, a quem dedicamos, com carinho, esta coleção.
Os Donos da Paisagem está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. É possível, também, comprar via correio.


Idealistas Isolados

Coleção Divulgação Científica - Volume 2
    O livro Idealistas Isolados é uma coletânea de ensaios que tenta pensar a divulgação científica do ponto de vista teórico, portanto de sua produção, linguagem e relação com a sociedade circundante; do ponto de vista histórico, no sentido de Michel Focault, ou seja, de momento/monumentos significativos, representados por depoimentos e resultados de pesquisa, e do ponto de vista da prática, apresenta uma amostragem semanal da quantidade de divulgação científica contida nos grandes jornais brasileiros.
     O título foi retirado de uma frase de 
José Reis, a quem dedicamos a obra, e com quem diariamente continuamos a aprender a responsabilidade de divulgar ciência neste final de milênio.
Lançado dia 18 de agosto de 1999, na abertura da 4ª Mostra de Material de Divulgação e Ensino das Ciências, na Estação Ciência, em São Paulo, Idealistas Isolados está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio. Também encontra-se na nas livrarias da EDUSP. É possível, também, comprar via correio.







A Espiral em Busca do Infinito

Coleção Divulgação Científica - Volume 1
     O livro é constituído por um conjunto de ensaios em homenagem aos 91 anos, completados no dia 12 de junho de 1998, do Dr. José Reis, pioneiro, no Brasil, da divulgação científica, da qual fez arma de luta pela democratização do conhecimento.
    Organizada pelos professores Crodowaldo Pavan e Glória Kreinz, respectivamente Coordenador de Divulgação e Coordenadora de Pesquisa do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA\USP, a obra é dividida em três partes: 
Tempo de ResgateA Leitura do Texto e Depoimento e Memória, tendo por base diferentes aspectos da obra de J. Reis.
    Formado em Medicina, J. Reis começou a escrever em jornais nos anos quarenta e até hoje escreve na 
Folha de São Paulo. Começou divulgando ciência, foi editor chefe da Folha, de 1962 a 1967, e nela continua a divulgar ciência todos os domingos, no caderno "Mais!", na coluna Periscópio. O conjunto de sua obra representa um dos mais bem elaborados manuais de divulgação científica de que se tem notícia.
O livro, lançado no dia oito de junho, durante evento em comemoração dos cinquenta anos da SBPC, está à venda na sede do NJR (Av. Lúcio Martins Rodrigues, 443, bloco 9, sala 10, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP 05508-900). Pedidos de compra podem ser feitos por e-mail, por telefone (11-3091-4021), fax (11-3091-4329) ou pelo correio, ou na EDUSP. É possível, também, comprar via correio.


Fonte aqui