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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Agência de jornalismo especializado

Em 2011, a equipe da Agência FAPESP produziu mais de 1.700 reportagens e notícias, que foram lidas no site www.agencia.fapesp.br e enviadas por boletim para seus quase 95 mil assinantes, no Brasil e no exterior. Pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento foram apresentadas para a população por meio da Agência FAPESP ou da reprodução de suas reportagens por dezenas de veículos de comunicação.

Nesta última semana de 2011, enviaremos boletins especiais contendo algumas das reportagens mais marcantes do ano, que demonstram a força e o importante momento vivido pela ciência e tecnologia no Brasil.

Aproveitamos para agradecer aos nossos leitores e desejar a todos um excelente 2012, com muita saúde e repleto de realizações.

Os boletins especiais da retrospectiva estão disponíveis nos endereços:

Especial 1: http://www.agencia.fapesp.br/2011/12/27
Especial 2: http://www.agencia.fapesp.br/2011/12/28
Especial 3: http://www.agencia.fapesp.br/2011/12/29

Muito obrigado

Agência FAPESP

sábado, 2 de abril de 2011

Pesquisas, interesses e jornalismo

“Faltam estudos” e “Não há evidências”




89 Comentários »
“Faltam estudos que comprovem prejuízos à saúde provocados por produtos usados adequadamente.”

“Não há evidências científicas de que, quando usados apropriadamente, causem efeito à saúde.”
Eu adoro o discurso usado na defesa do indefensável! Mas tem que ter classe para saber usá-lo, criar o contexto correto, ter cara-de-pau, parecer acreditar naquilo. Por isso, Maluf é rei.
Quem já assistiu ao filme “Obrigado por fumar” (Thank You for Smoking, 2006), de Jaison Reitman, com Aaron Eckhart, Robert Duvall e Maria Bello, baseado no livro de Christopher Buckley, que satiriza a indústria do tabaco e as associações de lobby que atuam nos Estados Unidos, sabe do que estou falando.
É engraçado ver o discurso cínico do protagonista do filme e imaginar quantos cidadãos norte-americanos caem nesse conversê na vida real. Mas a história fica trágica quando verificamos que os mesmos discursos são descarregados sobre nós diariamente para justificar qualquer coisa. Entre elas, a expansão agropecuária irracional no Brasil. E a gente, claro, engole feito um bebê. Perda de empregos, falta de comida, interesses estrangeiros, ecatombe maia (2012 tá aí, né?), tudo é usado como desculpa para continuar passando por cima. Alguém já viu os filmes promocionais de empresas que produzem agrotóxicos? É de chorar de emoção.
Folha de São Paulo trouxe, na quarta, uma boa reportagem apontando que foi encontrado agrotóxico em leite materno no Mato Grosso (se fosse material radioativo no leite materno de Tóquio estaria em todas as TVs daqui, mas deixa pra lá). Segue um trecho:
“O leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes na região central de Mato Grosso, está contaminado por agrotóxicos, revela uma pesquisa da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres, 3 delas da zona rural, entre fevereiro e junho de 2010. O município é um dos principais produtores de grãos do MT. A presença de agrotóxicos foi detectada em todas. Em algumas delas havia até seis tipos diferentes do produto. Essas substâncias podem pôr em risco a saúde das crianças, diz o toxicologista Félix Reyes, da Unicamp. “Bebês em período de lactação são mais suscetíveis, pois sua defesa não está completamente desenvolvida.” Ele ressalta, porém, que os efeitos dependem dos níveis ingeridos. A ingestão diária de leite não foi avaliada, então não é possível saber se a quantidade encontrada está acima do permitido por lei. “A avaliação deve ser feita caso a caso, mas crianças não podem ser expostas a substâncias estranhas ao organismo”, diz Reyes.”
Sensacional é o outro lado, ouvido pela reportagem:
“A Associação Nacional de Defesa Vegetal, representante dos produtores de agrotóxicos, diz desconhecer detalhes da pesquisa, mas ressalta que a avaliação de estudos toxicológicos é complexa. Segundo a entidade, faltam estudos que comprovem prejuízos à saúde provocados por produtos usados adequadamente. “Não há evidências científicas de que, quando usados apropriadamente, os defensivos agrícolas causem efeito à saúde”.”
Usei a história a seguir em um post anteontem, mas vale mostrar de novo. Durante as brigas pelo banimento do amianto, um advogado que defendia o interesses dos trabalhadores trouxe um pedaço do produto para ser mostrado em uma audiência judicial com os que defendiam as empresas. O amianto, acusado de causar danos à saúde dos trabalhadores, circulou na mesa. Do lado corporativo, que defendia que o produto era inofensivo como uma bola de gude, ninguém quis tocá-lo.
Poderíamos fazer o mesmo com os que defendem que “faltam estudos” e “não há dados”. Até como uma forma de mostrar que acreditam naquilo que defendem. Vamos mudar sua sede para o mesmo local em que o problema relatado acima aconteceu. Se faltam dados, não há risco comprovado, não é mesmo? Liderar pelo exemplo!
Não vou repetir o que já disse neste blog muitas vezes, mas vale lembrar que o Brasil continua sendo mais rápido para aprovar produtos químicos que trazem lucro a poucos e lento para tirá-los de circulação – quando fica provado que causam danos a muitos. Ou para controlar a sua presença no meio ambiente e seus impactos nas populações locais – usamos susbtâncias químicas como água para promover o crescimento econômico. Muitos agrotóxicos proibidos nos Estados Unidos, na União Européia e em alguns de nossos vizinhos latinos correm soltos – literalmente – contaminando água, terra e ar por aqui. E, por conseguinte, milhares de pessoas diretamente e milhões indiretamente.
E não são apenas os proibidos, um problema. Talvez um pepino maior sejam os permitidos usados sem o devido cuidado e em quantidade maior que o meio pode suportar. Quando a Anvisa faz uma reavaliação toxicológica de substâncias químicas, parte dos produtores alega que vetos causarão aumento de custos. Entendo o lado deles, mas aceitar algo que não está de acordo com os padrões mínimos é uma bomba-relógio que vai explodir em algum momento.
No Brasil, o lobby dos agrotóxicos é pesado. Daria um filme tão engraçado e trágico quanto o da indústria do tabaco. O problema seria encontrar financiador.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Como a mente cria o mundo - Jornalismo científico e literário

Novo livro do escritor Oliver Sacks mostra como mente "cria" mundo
 24/11/2010 - 07h35


Autor de romances policiais, o canadense Howard Engel chegou a imaginar que estava sendo vítima de uma estranha conspiração ao tentar ler o jornal numa manhã de julho de 2001.


"Quando eu focalizava as letras, ora pareciam cirílico [alfabeto do russo e de outras línguas eslavas], ora coreano", contou Engel em carta ao neurologista e escritor britânico Oliver Sacks. Não era um plano maligno da KGB: Engel tivera um derrame numa pequena área do lado esquerdo do cérebro.

Ouça comentários do jornalista sobre o livro:

Anedotas como essa se juntam como as peças de um quebra-cabeças em "O Olhar da Mente", livro de Sacks que acaba de chegar ao Brasil. A mensagem mais ampla é clara: não há nada de automático na maneira como achamos que vemos o mundo.

Histórias como as de Engel mostram que o conjunto olho-cérebro está menos para câmera digital e mais para simulador de realidade virtual, usando pistas às vezes enviesadas para construir um modelo do mundo na cabeça de cada pessoa.

Na entrevista abaixo, Sacks fala da relação entre ciência e literatura e diz que a interface entre cérebro e máquinas tem potencial para revolucionar o modo como os sentidos funcionam.
Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Oliver Sacks em palestra em São Paulo
O neurologista e escritor britânico Oliver Sacks, que está lançando o livro "O Olhar da Mente", durante palestra em São Paulo
*
Folha - Como é que o sr. normalmente escolhe o fio condutor de um livro? O sr. começa com o tema na cabeça e depois busca relatos de pacientes que se encaixem na ideia, ou é o contrário?

Oliver Sacks -
 Depende muito de quem me contata, do que acontece no meu cotidiano. Acidentes desempenham um papel muito grande para um médico. As coisas não são nem de longe tão sistemáticas quanto o cotidiano de um cientista.

Por que ainda é raro ver livros sobre ciência serem reconhecidos como literatura?
Fico tentado a dizer que algumas pessoas naturalmente vão gostar mais desse tipo de obra do que outras. Não penso em mim mesmo como um homem de letras. O que tento é dizer as coisas com a maior clareza e maior naturalidade possíveis.

Acho que é importante ler em voz alta. Quando escrevo, tento ouvir cada frase na minha cabeça, e acho que esse ouvido para o que se está escrevendo é crucial.

Os casos extremos que o sr. descreve ajudariam a mostrar que até as pessoas que chamamos de normais apenas usam seu cérebro para construir uma espécie de modelo do mundo, que nunca é a mesma coisa que o "mundo real" em si?
Em primeiro lugar, não penso em meus casos como extremos. Acho que eles apenas são os mais exemplares, digamos.

Quando falamos de coisas como o ato da leitura, ou a capacidade de reconhecer rostos, a tendência é considerar essas habilidades como algo natural. E as pessoas não têm a menor ideia de como essas coisas funcionam.

Isto é, a menos que você as analise. E ver pessoas cujas faculdades de reconhecimento foram esfaceladas faz, por exemplo, com que seja possível perceber que certa capacidade está associada a certa parte do cérebro.

Dessa maneira, você aprende que é possível saber o que a leitura ou o reconhecimento de rostos são em todas as demais pessoas. Ou seja: estudar um cérebro anormal lança muita luz sobre os cérebros normais.

Na última década, as pesquisas cujo objetivo é criar interfaces entre o cérebro humano e as máquinas avançaram muito. Qual o potencial dessas tecnologias para mudar a maneira como as pessoas percebem o mundo?
Conectar o cérebro a máquinas que possam se movimentar é muito empolgante para pessoas que ficaram paralisadas, pessoas que estão "trancadas" dentro do próprio cérebro por causa de alguma lesão e não possuem nenhum modo de se comunicar com o mundo exterior.

Na parte final do meu livro, abordo a chamada substituição sensorial, na qual uma câmera de vídeo é conectada a eletrodos implantados na língua do paciente.

Essa pessoa, então, é capaz de interpretar esses estímulos sensoriais na língua como uma percepção visual, mesmo que ela não enxergue. Isso não exige a implantação de eletrodos no cérebro. Mas nós vemos e ouvimos com nosso cérebro, e em breve vai ser possível --é algo que já foi conseguido em modelos animais-- enxergar com essas interfaces.
E isso vai revolucionar a medicina.

Pautas científicas: por onde ir?

20/08/2010 -
A evolução das teorias

Os cientistas têm todo tipo de explicação para o surgimento dos humanos – da dança à rebeldia adolescente. Alguma delas vai resistir à pressão seletiva?
O que nos tornou humanos? Até pouco tempo atrás, havia poucas teorias para explicar o salto evolutivo que conferiu a nossos ancestrais a capacidade de raciocinar. O polegar opositor era uma candidata – deu a um grupo de hominídeos a chance de fazer movimentos de pinça, com os quais pôde produzir ferramentas. Outra tese era a linguagem. A possibilidade de falar nos fez criar símbolos, a essência de uma cultura. Uma terceira teoria era a vida em grupo. A necessidade de memorizar rostos e saber quem era fiel, quem traía, quem estava acima ou abaixo na hierarquia social teria dado origem a nossa inteligência.

Todas essas teses são ótimas. Mas não chamam mais a atenção. Em seu lugar, uma série de hipóteses mais ousadas tem ganhado espaço no meio científico. A mais recente é que devemos nossa inteligência... aos animais. Em artigo na revista Current Anthropology, a americana Pat Shipman, da Universidade da Pensilvânia, diz que nossos ancestrais tiveram de entender o comportamento dos animais porque eram presa e, a partir da criação de ferramentas, também predadores. “Esse entendimento levou à linguagem e, em um último estágio, à domesticação dos animais”, me disse Shipman por e-mail.

Se você acha essa ideia esquisita, que tal a tese de que nós viramos humanos porque aprendemos a cozinhar? Ou porque gostamos de música? Ou – a minha preferida – porque nossos adolescentes são mais chatos que os adolescentes dos outros animais? Todas elas foram defendidas nos últimos dois anos (leia o quadro abaixo).

A evolução das teorias sobre nossa evolução tem um motivo: a seleção natural das pautas de revistas científicas. Quanto mais inusitada a proposta, mais chance de chamar a atenção – e de ser publicada.

Isso não quer dizer que elas não tenham mérito. Se não soubéssemos cozinhar, por exemplo, nosso maxilar teria de ser muito mais desenvolvido para mastigar alimentos duros e nosso estômago teria de ser maior (como o dos chimpanzés). Sobrariam menos espaço e energia para o cérebro.

O problema não é com as teorias inusitadas em si, mas com o próprio fato de procurar a atividade isolada que nos tornou humanos. “Procurar por um único aspecto é perda de tempo”, diz o psicólogo americano Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia. “Posso falar porque já tentei.” E ainda tenta. Gazzaniga hoje aposta que nos tornamos humanos ao aprender a controlar impulsos e postergar o prazer.

“Cada evento em nossa evolução, seja cantar, cozinhar ou domesticar animais, é consequência de uma necessidade, que levou a outra”, diz o etólogo Eduardo Ottoni, da Universidade de São Paulo. E a necessidade de criar teorias, de onde terá vindo?


  Reprodução


Assista como as ilustrações acima foram feitas:



quarta-feira, 17 de março de 2010

Brasil é premiado na categoria Infografia Jornalística


Cinco veículos brasileiros ganharam medalhas na 18ª edição dos prêmios Malofiej de Infografia Jornalística, evento organizado pela sede espanhola da Society for News Design (SND-E).
Na categoria impressa, o jornal Folha de São Paulo ganhou três medalhas, a revista Placar duas e a Mundo Estranho uma. Já na categoria de trabalhos da internet, a revista Época Online recebeu uma medalha por um infográfico sobre a queda do voo 447 da Air France e o iG por uma infografia sobre uma casa sustentável.
No total, 156 medalhas foram distribuídas e a mais importante foi levada pela edição online do jornal sueco Svenska Dagbladet, que recebeu o prêmio Peter Sullivan/Best of Show por uma infografia sobre como os europeus votaram no festival de música Eurovision.
Esta edição dos prêmios Malofiej teve um record de participação: 1.439 de 152 meios de comunicação de 30 países enviaram trabalhos, 8% a mais do que no ano passado.
Confira aqui a lista de vencedores.
Com informações do site da Society for News Design.
Por Camila Augusto, do Nupejoc

Pesquisa analisa cobertura de ciência na mídia impressa

Um relatório com os resultados da pesquisa que monitorou matérias de ciência, tecnologia e inovação publicadas em 62 jornais está disponível online. O projeto foi desenvolvido pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Um quarto das 2.599 notícias analisadas entre 2007 e 2008 foram publicadas pelos quatro veículos nacionais que fizeram parte da pesquisa, em uma média de 2,3 notícia/dia. A média foi quatro vezes maior do que as dos jornais regionais. As ciências da saúde são a área com maior visibilidade, aparecendo com 28% das notícias analisadas, seguidas pelas ciências biológicas (21%) e pelas ciências exatas e da terra (18%). As ciências humanas e sociais aplicadas são as que tiveram menos espaço – juntas, elas respondem por menos de 18% dos textos.

O trabalho também aponta que 86% das matérias não apresentaram contextualização ou foram além da nova descoberta que enfocavam para uma discussão mais ampla.

Via Ciência Hoje

terça-feira, 16 de março de 2010

Blogs de ciência brasileiros











Confira o perfil alguns dos principais blogs de ciência brasileiros:

Nome: Brontossauros em meu Jardim
Endereço: www.scienceblogs.com.br/brontossauros
Autor: Carlos Hotta, biólogo, pesquisador da USP
Tema: Biologia
Atualização: Cerca de 20 textos por mês
Audiência: Cerca de 15 mil visitas por mês


Nome: Rainha Vermelha
Endereço: www.scienceblogs.com.br/rainha
Autor: Átila Iamarino, biólogo e doutorando (USP)
Tema: Biologia e evolucionismo
Atualização: Cerca de 20 textos por mês
Audiência: Cerca de 16 mil visitas por mês.


Nome: Ciência em Dia
Endereço: www.cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br
Autor: Marcelo Leite, colunista da Folha de S. Paulo
Tema: Biologia e política
Atualização: No mínimo dois textos por semana
Audiência: Cerca de 24 mil visitas por semana.

Nome: A Neurocientista de Plantão
Endereço: www.suzanaherculanohouzel.com
Autor: Suzana Herculano-Houzel, bióloga (UFRJ)
Tema: Neurociência
Atualização: Cerca de 12 textos por mês
Audiência: Cerca de 1.300 acessos por mês

Nome: Ciência Brasil
Endereço: www.cienciabrasil.blogspot.com
Autor: Marcelo Hermes-Lima, biólogo (UnB)
Tema: Política científica e bastidores da universidade
Atualização: Cerca de 75 textos por mês
Audiência: Cerca de 22 mil visitas por mês

Nome: Roda de Ciência
Endereço: www.rodadeciencia.blogspot.com
Autor: Vários blogueiros de ciência
Tema: Ciência em geral
Atualização: Cerca de 10 textos por mês
Audiência: Dados não disponíveis

Nome: União Local de Ecólogos (ULE)
Endereço: www.uleinpa.blogspot.com
Autor: Vários pesquisadores e alunos do Inpa
Tema: Amazônia
Atualização: Cerca de um texto por semana
Audiência: Cerca de 1.200 visitas por mês

Nome: Xis-Xis
Endereço: www.xisxis.wordpress.com
Autor: Isis Nóbile Diniz, jornalista de ciência
Tema: Ciência, meio ambiente e comportamento
Atualização: Cerca de 25 textos por mês
Audiência: Cerca de 18 mil visitas por mês

Nome: Rastro de Carbono
End.: www.scienceblogs.com.br/rastrodecarbono
Autor: Paula Signorini, bióloga (USP)
Tema: Meio ambiente
Atualização: Cerca de 20 textos por mês
Audiência: Dados não disponíveis


Nome: Chi vó, non pó
Endereço: www.scienceblogs.com.br/chivononpo
Autor: João C. Cunha, oficial reformado da Marinha
Tema: Ciência em geral, com ênfase em física
Atualização: Cerca de 20 textos por mês
Audiência: Cerca de 8 mil visitas por mês





Unidos, venceremos!

Reportagem destaca expansão sem precedentes dos blogs sobre ciência do Brasil
Publicado em 01/04/2009






A blogosfera científica brasileira acaba de ganhar um impulso que tem tudo para aumentar sua visibilidade e credibilidade. Foi criado no fim de março o portalScienceBlogs Brasil (SBB), versão nacional do maior condomínio de blogs de ciência do mundo. A iniciativa confirma o potencial dos blogs brasileiros sobre ciência, que ainda enfrentam obstáculos, mas vivem um momento de expansão sem precedentes.

A filial brasileira do
Science Blogsfoi criada a partir de uma iniciativa similar existente anteriormente – oLablogatórios,criado pelos biólogos Carlos Hotta e Átila Iamarino, agora responsáveis por gerenciar a comunidade de blogueiros do SBB. Apesar de sua vida curta – o portal foi lançado em 2008 –,oLablogatórioschegou a reunir cerca de 20 páginas e aumentou bastante o número de visitantes de cada uma.

Bom exemplo disso é o blog do próprio Hotta,
Brontossauros em meu Jardim, que ganhou o prêmio Best Blogs Brasil 2008 na categoria ciência. “OBrontossaurossaltou de uma média de 4 mil visitas mensais para cerca de 15 mil após a criação do portal”, conta o biólogo.

O objetivo por trás da reunião dessas iniciativas é aumentar a visibilidade de cada uma, no melhor espírito de ‘a união faz a força’. “Com o
ScienceBlogs Brasil,ganhamos mais poder de divulgação e projeção”, explica Átila Iamarino, autor do blogRainha Vermelha.“Temos agora um ponto de convergência de conteúdo científico que dá credibilidade e facilita o contato de leitores e blogueiros com outros blogs.”

Ainda é cedo para confirmar o aumento de audiência esperado para as 21 páginas reunidas no
ScienceBlogs Brasil. Mas o significado da mudança é claro. “Incorporamos uma marca muito forte de divulgação científica ao nosso time, o que certamente trará muito mais retorno no futuro”, aposta Hotta.

Mais blogs, menos espaço na imprensa

O lançamento dessa iniciativa se dá em um momento em que os blogs de ciência estão em alta em todo o mundo. O fenômeno foi apontado em uma
reportagem da edição de 19 de março da revista Nature, um dos periódicos científicos mais influentes do mundo. Segundo a reportagem, o aumento do número de pesquisadores blogueiros acontece paralelamente a uma crise do jornalismo de ciência nos Estados Unidos e na Europa.

Uma pesquisa promovida pela própria
Nature junto a 493 jornalistas que cobrem ciência revelou um quadro de muitas demissões e aumento da carga de trabalho daqueles que conservaram seus postos. A revista aponta ainda que o tema vem perdendo espaço na imprensa generalista, sobretudo nos Estados Unidos – a extinção da seção de ciência do Boston Globe é citada como exemplo dessa tendência.

No Brasil, o espaço da ciência no noticiário não parece ameaçado – por enquanto. Porém, também aqui um número cada vez maior de pesquisadores vem recorrendo a blogs para se comunicar com colegas e com o público, antecipar resultados de estudos e comentar os bastidores da vida acadêmica.

Bom exemplo disso é o blog
A neurocientista de plantão, de Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela anunciou ali em primeira mão a publicação do artigo de seu grupo de pesquisa que fez uma contagem pioneira do número de neurônios do cérebro humano.

Os blogs podem servir também de instrumento de mobilização política por parte dos cientistas. Um exemplo é o caso do
Ciência Brasil, do biólogo Marcelo Hermes-Lima, professor da Universidade de Brasília (UnB). O autor dá destaque ali a questões de política científica e assuntos administrativos internos da UnB.


Franca expansão

A criação do
ScienceBlogs Brasil é sintomática do bom momento de nossa blogosfera científica, mas não é a única iniciativa do gênero no país. No mesmo espírito, existe desde agosto de 2006 a Roda de Ciência, blog coletivo cujas postagens dão destaque a textos originais dos blogs individuais dos 23 participantes. “A proposta era aproximar os blogs de ciência e juntar mentes para gerar novas ideias”, define a bióloga Maria Guimarães, criadora da Roda. As postagens são pautadas por um tema periódico, escolhido por votação e divulgado pelo moderador.

Na mesma linha, o
Anel de Blogs Científicos é outro exemplo de condomínio de blogs de ciência em língua portuguesa. Vinculada ao Departamento de Física e Matemática da USP (campus de Ribeirão Preto), a iniciativa envolve 130 participantes de Brasil e Portugal.

Outro exemplo do dinamismo que agita a blogosfera científica brasileira foi a realização, no início de dezembro de 2008, do I Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa. Apesar da dimensão modesta – o evento reuniu cerca de 15 blogueiros –, a iniciativa ajudou a firmar os laços que unem esses divulgadores e permitiu discutir estratégias para melhorar a visibilidade dos blogs de ciência.

Essas iniciativas mostram que temos hoje um quadro bastante diferente daquele que havia em 2005, quando a
CH On-line publicou sua primeira reportagem sobre a blogosfera científica brasileira, marcada por iniciativas isoladas. A criação de condomínios como o ScienceBlogs Brasil e a Roda de Ciência mostra que os blogs estão em franca expansão desde então.

Espaço para crescer
É claro que ainda estamos longe da popularidade e da audiência de blogs dedicados a entretenimento e amenidades. A título de exemplo, o blog do jornalista Juca Kfouri, que cobre futebol e outros esportes, alcançou no último fim-de-semana o marco de 50 milhões de visitas desde setembro de 2005 – um índice ainda utópico para uma página sobre ciência.

Uma comparação como essa tem pouca validade – em outras esferas, a ciência ainda é um tema sem a mesma visibilidade que têm esportes, humor e cultura. Seja como for, ainda há espaço para um aumento do número de leitores. João Carlos Cunha, oficial reformado da Marinha e autor do blog
Chi vó non pó,concorda com a análise: “Vejo com alegria o crescimento dos blogs devotados à divulgação das ciências, mas acredito que ainda é cedo para ‘soltar foguetes’. Por enquanto, esses blogs ainda têm um público fiel pequeno, no Brasil”.

Na avaliação da bióloga Paula Signorini, titular do
Rastro de carbono, há ainda bastante espaço para crescimento da blogosfera científica brasileira. Para isso, no entanto, é preciso superar o preconceito que ela atribui a alguns pesquisadores. “Acredito que os acadêmicos em geral ainda vejam blogs como meros diários de adolescentes e que ainda não percebam o poder que a ferramenta dá para que eles alcancem o público leigo”, avalia.

Um exemplo do chão que nos resta a percorrer pode ser visto na versão em inglês do portal
ScienceBlogs. A iniciativa reúne 78 blogs, mantidos na maior parte por cientistas que utilizam essas páginas para divulgar suas próprias pesquisas.

Os blogs brasileiros de ciência ainda precisam de fôlego para chegar a esse patamar, mas estão no bom caminho. Resta torcer para que o público e a parcela da comunidade científica que ainda enxerga essas iniciativas com reticência reconheçam o valor da divulgação científica no formato dos blogs.
A ciência também nos microblogs
Além dos blogs tradicionais, a ciência tem ganhado visibilidade também no Twitter,a mais nova febre da internet. Esse tipo de ferramenta é conhecido como microblog, pois as postagens de cada usuário devem ter no máximo 140 caracteres. Carlos Hotta, Átila Iamarino e Paula Signorini são alguns dos blogueiros ouvidos por nossa reportagem que já se renderam à novidade. ACiência Hoje não ficou para trás e já tem sua conta no Twitter. Assine as nossas postagens para receber notícias sobre as últimas atualizações da CH On-line!

Isabela Fraga
Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
01/04/2009

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Aplicações de metacril causam lesões

QUARTA-FEIRA, 10 DE FEVEREIRO DE 2010

Cuidado com o preenchimento

| 16:17

A Justiça do Rio de Janeiro condenou na semana passada dois médicos acusados de causar lesões graves em três pacientes, depois de aplicações de metacril, uma substância para preenchimento estético derivada de petróleo.

Fernando Carvalho e Waldir de Ceciliano, os proprietários da clinica, terão que pagar indenizações de cerca de 50 000 para a cada vítima (por dano moral), e a pensões vitalícias cujo valor ainda não foi definido (pelo dano material).

O laudo da perícia médica apresentado em juízo pelo advogado das vítimas, Leonardo Amarante, concluiu que as lesões deixadas no glúteo, queixo e tornozelo das pacientes não poderão mais ser corrigidas. Cabe recurso da decisão.

Por Lauro Jardim


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ALUNOS EM ATIVIDADE: Com base no texto acima, pesquisa e elabore uma nota (jornalismo científico) sobre o tema "aplicações de metacril para uso estético".

sábado, 12 de dezembro de 2009

Curso de Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico

O Curso de Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico pretende formar profissionais especializados no exercício da divulgação científica, capazes de elaborar produtos de comunicação para imprensa brasileira, empresas de tecnologia e inovação, divulgação de projetos de empreendedorismo, elaboração de políticas de comunicação para as assessorias de instituições de pesquisa.

O Curso de Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico terá duração de 24 meses, estando previsto o seu inicio para março de 2010 e seu término para dezembro de 2011. É uma realização da Faculdade de Comunicação da UFBA em colaboração com a Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da FACOM/UFBA e Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências do Instituto de Física da UFBA-UEFS. Tem ainda como parceiros a Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico - ABJC, a FTC Salvador (Faculdade de Tecnologia e Ciências), Fapesb e a Fiocruz-Bahia.

  • O curso possui um total de 14 disciplinas teóricas e três oficinas práticas. Compreende, ainda, uma série de seminários onde serão debatidos temas sobre saúde, biotecnologia, meio ambiente, ciência, tecnologia e inovação e sua interface com as mídias.
  • As disciplinas teóricas serão ministradas a cada 15 dias com carga horária total de 24 h/a. As oficinas serão ministradas semanalmente com carga horária total de 48 horas.
  • A frequência às disciplinas e oficinas do Curso é obrigatória, tendo como valor mínimo 75% (setenta e cinco por cento) das aulas ministradas.
  • O aproveitamento, em cada disciplina do Curso, será medido e expresso segundo os sistemas de avaliação de cada professor (a) do curso.
  • O Curso oferecerá 40 (quarenta) vagas.
  • O curso será pago no valor de 380,00 reais mensais que serão investidos no pagamento de funcionários administrativos da secretaria, técnicos em manutenção de equipamentos, pessoal de apoio, técnicos especializados e compra de materiais necessários para o bom funcionamento do curso ao longo de 24 meses.