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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Artigo científico - Psoríase

Anais Brasileiros de Dermatologia

versão impressa ISSN 0365-0596
An. Bras. Dermatol. vol.84 no.3 Rio de Janeiro jul. 2009
doi: 10.1590/S0365-05962009000300005


INVESTIGAÇÃO



Qual é o tipo de fototerapia mais comumente indicada no tratamento da psoríase? UVB banda estreita e PUVA: comportamento da prescrição*





Ida Duarte-I;
José Antonio Jabur da Cunha-II;
Roberta Buense Bedrikow-III;
Rosana Lazzarini-IV

I-Professora Doutora da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Responsável pelo setor de alergia e fototerapia da Clínica de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil
II-Especializando do Departamento de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil
III-Médica assistente da Clínica de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil
IV-Chefe da Clínica de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil



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RESUMO

FUNDAMENTOS: Formas moderada e grave de psoríase requerem fototerapia e/ou medicações sistêmicas. Tanto UVB banda estreita quanto fototerapia UVA com psoralênicos (PUVA) podem ser utilizadas no tratamento dessas formas de psoríase, sendo comprovada a efetividade de ambas as terapias.
OBJETIVOS: Avaliar as indicações de dois tipos de fototerapia no tratamento da psoríase refratária à terapia tópica: UVB banda estreita e PUVA.
MÉTODOS: Entre janeiro de 2006 e dezembro de 2007, os pacientes encaminhados a dois serviços de fototerapia foram incluídos neste estudo. Dados sobre os casos e tipos de prescrição foram coletados de maneira retrospectiva.
RESULTADOS: Dentre os 67 pacientes estudados, 51 (76%) foram tratados com UVB banda estreita. As razões para sua indicação foram presença de psoríase em gotas (22%), presença de finas placas (15%), uso de drogas fotossensibilizantes (15%), idade abaixo de 20 anos (9%), fototipo I (9%) e doença hepática (6%). Os 16 (24%) restantes foram tratados com PUVA. A principal indicação dessa terapia foi gravidade da doença (15%), seguida de fototipo IV (9%).
CONCLUSÕES: As prescrições de UVB banda estreita excederam as de PUVA devido ao menor número de contraindicações, menor possibilidade de efeitos colaterais, e ainda por ser uma opção mais prática.

Palavras-chave: Fototerapia; Psoríase; Raios Ultravioleta; Terapia PUVA


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INTRODUÇÃO

Psoríase é uma doença crônica, inflamatória e recorrente, com manifestações clínicas e gravidade variáveis. Caracteriza-se principalmente por eritema, infiltração e descamação da pele. Estima-se que 2% a 3% da população mundial seja afetada pela doença.1-3

Terapias tópicas costumam ser suficientes no controle da psoríase de intensidade leve; porém, as formas moderada e grave requerem outras opções terapêuticas, como fototerapia e medicações sistêmicas.4-6

A luz UV tem propriedades anti-inflamatória, antiproliferativa e imunossupressora.7,8 A radiação UV é dividida em UVA (400 – 320 nm), capaz de alcançar a epiderme e derme profunda, UVB (320 – 290 nm), que alcança somente a epiderme, e UVC (290 – 200 nm), que não chega à superfície terrestre. Os raios UVA são subdivididos em UVA I (400 – 340 nm) e UVA II (340 – 320 nm), e a faixa de UVB entre 311 e 312 nm é chamada de UVB banda estreita (UVB "narrow band" – UVB NB). O uso deste tipo de UVB no tratamento da psoríase teve início na década de 80, quando as primeiras lâmpadas de UVB NB foram desenvolvidas (Philips, Eindhoven, Holanda). 7,9 Subsequentemente esse método provou ser efetivo no controle da psoríase, utilizando-se de doses suberitemogênicas.10 Estudos mostraram que UVB NB pode ser mais efetiva que UVB banda larga no tratamento da psoríase,9,10 consequentemente a escolha atualmente deve ser feita entre UVA e UVB NB.

Tanto UVB NB quanto PUVA podem ser utilizadas no tratamento de formas moderada e grave da psoríase, e vem sendo comprovada a efetividade de ambas as terapias.6,11,12 Dessa forma a seleção entre uma ou outra modalidade de fototerapia deve basearse em outros fatores além da eficácia, incluindo segurança, resposta prévia ao tratamento, gravidade da psoríase e adesão ao tratamento.6

O objetivo deste estudo foi avaliar a frequência com que PUVA e UVB NB são prescritas a pacientes com diagnóstico de psoríase que não apresentaram resposta ao tratamento tópico.



MATERIAIS E MÉTODOS

Entre janeiro de 2006 e dezembro de 2007, pacientes com psoríase refratária aos tratamentos tópicos foram referidos para dois serviços de fototerapia (um hospital universitário e uma clínica particular, ambos com a mesma equipe médica, mesmo protocolo de tratamento e mesmos equipamentos) e incluídos neste estudo retrospectivo. Todos os pacientes receberam indicação de UVB NB ou PUVA.

Foram excluídos do estudo aqueles que estivessem usando qualquer terapia combinada (tópica e/ou sistêmica), ou qualquer medicação sistêmica para psoríase nos dois meses que antecederam o início da fototerapia.

Dados demográficos foram retrospectivamente coletados das fichas médicas dos pacientes sob fototerapia. Foram coletados ainda dados quanto ao tipo de pele (segundo classificação de Fitzpatrick),13 tipo de psoríase (vulgar, em gotas ou eritrodérmica),14 gravidade da doença, tipo de fototerapia prescrita (PUVA ou UVB NB) e evolução clínica.

As razões preponderantes na escolha do regime de fototerapia foram registradas em prontuário médico e baseadas na idade do paciente, fototipo cutâneo, gravidade da doença, comorbidades e uso de medicações sistêmicas. Os critérios utilizados nos serviços de fototerapia estudados foram: UVB NB como primeira escolha em indivíduos com menos de 20 anos de idade, nos portadores de psoríase gutata ou em finas placas e nos casos com gravidade leve para moderada. Fototerapia PUVA foi primeira opção nos casos extremos com placas grossas e pele tipo IV ou VI. PUVA foi contraindicada nos pacientes com comprometimento hepático ou em uso de drogas fotossensibilizantes; nesses casos a severidade ou fototipo cutâneo não foram considerados, e indicou-se UVB NB.

Todos os pacientes foram submetidos à fototerapia com duas sessões por semana utilizandose equipamento profissional (Prolumina Fototerapia, São Paulo, Brasil: cabine UVA com 48 lâmpadas Philips Sunlamp 100 W-R ou cabine UVB NB com 42 lâmpadas banda estreita Philips TL 100 W/01).



RESULTADOS

Sessenta e sete pacientes foram tratados durante o período do estudo: 37 homens (55,2%) e 30 mulheres (44,8%), com idades que variaram de 12 a 87 anos e média de 39 anos de idade. Seis deles (9%) foram classificados como pele tipo I de Fitzpatrick, 35 (52,2%) como tipo II, 15 (22,4%) como tipo III e 11 (16,4%) como tipo IV.

Apenas um paciente (1,5%) apresentava psoríase eritrodérmica, enquanto 16 (24%) tinham psoríase em gotas e 50 (74,5%) tinham psoríase vulgar com gravidades variáveis.

Dentre os 67 pacientes estudados, 51 (76%) foram tratados com UVB NB. As razões para indicação de UVB NB estão indicadas na tabela 1 e distribuíramse da seguinte forma: presença de psoríase em gotas (22%), presença de finas placas (15%), uso de drogas que interferem na fotossensibilidade (15%), idade menor que 20 anos (9%) fototipo I (9%) e presença de hepatopatia associada (6%). Os 16 (24%) restantes foram tratados com PUVA. A principal indicação desse tipo de terapia (Tabela 2) foi gravidade da doença (10 pacientes, 15%), seguida pela presença de pele tipo IV (6 pacientes, 9%). A figura 1 ilustra como se deu a prescrição da fototerapia nos pacientes avaliados.



DISCUSSÃO

Muitos estudos têm comparado a eficácia das terapias UVB NB e PUVA na psoríase moderada a grave.15-17 A heterogeneidade considerável entre esses estudos no que diz respeito à gravidade da doença, subtipos de psoríase, fototipo cutâneo, regimes de fototerapia e métodos utilizados na mensuração dos resultados tornaram difícil a condução de uma revisão sistemática consistente. Embora PUVA venha sendo reportada como mais efetiva que UVB NB no controle da psoríase,4,6,9 uma abordagem terapêutica padronizada para todos os casos de psoríase moderada a grave ainda não foi estabelecida.4,6

Como se sabe, a psoríase é uma doença de distribuição global que acomete ambos os sexos e ampla faixa etária.1,2 Na amostra estudada, de fato, ocorreu certa homogeneidade quanto à distribuição por sexo; ao mesmo tempo a idade dos pacientes tratados com fototerapia foi bastante ampla, partindo da segunda até a nona década de vida. Idade e sexo não são fatores limitantes na indicação de fototerapia.15

Em nossos serviços de fototerapia, UVB NB foi mais frequentemente indicada que PUVA (76% e 24% respectivamente) para tratamento de pacientes com psoríase. Foi observado que muitos pacientes com psoríase apresentavam outras comorbidades que contraindicaram o tratamento com PUVA. Pacientes com envolvimento hepático ou em uso de medicações, como as utilizadas no tratamento da hipertensão, diabetes ou ainda anti-inflamatórias, receberam indicação de UVB NB devido à maior segurança nesses casos,15,17 considerando que algumas drogas podem aumentar a sensibilidade individual aos raios UV. Esse foi o caso de 28% dos pacientes tratados em nossa amostra: em 19% prescreveu-se UVB NB devido ao uso de drogas fotossensibilizantes e em 9%, devido a doença hepática.

Para pacientes jovens, é indicada UVB NB por representar menor risco de induzir câncer de pele em longo prazo.6,18 No grupo estudado, 12% dos pacientes tiveram como primeira escolha UVB NB por apresentarem idade abaixo de 20 anos. Isso se torna importante quando se considera o risco de câncer como resultado da exposição cumulativa de radiação UV, associado à alta expectativa de vida desses pacientes.

Além desses aspectos, UVB NB é mais frequentemente indicada que PUVA devido à praticidade de sua aplicação.6 A possibilidade de usar essa fototerapia na ausência de prescrição prévia de psoralênicos torna mais fácil a aceitação do tratamento por parte do paciente, uma vez que esses medicamentos muitas vezes trazem náuseas e outros efeitos colaterais. O uso de outras medicações pode ser mantido durante o tratamento com UVB NB. Entre os pacientes avaliados, PUVA foi mais indicada para pacientes com placas espessas e pele tipo IV a VI (classificação de Fitzpatrick).

Embora o objetivo deste estudo não tenha sido avaliar efetividade terapêutica, mas sim compreender como se comporta a prescrição da fototerapia na psoríase, foi possível observar que ambas as terapias foram efetivas. A média do PASI inicial nos pacientes tratados com PUVA foi de 14,9; no grupo tratado com UVB NB, foi de 10,4. Dentre os pacientes tratados com PUVA, o índice PASI 75 foi obtido em 75% dos casos, e bons resultados foram também alcançados em 80,4% dos pacientes tratados com UVB NB. A diferença entre os grupos não foi estatisticamente significante (p <>
CONCLUSÃO
As prescrições de UVB NB excederam as de PUVA devido ao menor número de contraindicações e menor possibilidade de efeitos colaterais, e ainda por ser uma opção mais prática. Visto que tanto PUVA quanto UVB NB provaram ser efetivas no controle da psoríase, a opção por cada tratamento deve levar em conta a gravidade da doença, tipo de pele, uso de medicações e características do paciente. Uma avaliação clínica individualizada deve guiar a indicação entre um ou outro tipo de fototerapia.
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Endereço para correspondência: Ida Duarte Rua Monte Alegre, 523/101 05014 000 São Paulo - SP Tel./fax: 11 38714018 E-mail: idaduarte@terra.com.br Recebido em 26.02.2009.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 04.03.09.
* Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia, Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil.
Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum
Como citar este artigo: Duarte I, Cunha JAJ, Bedrikow RB, Lazzarini R. Qual é o tipo de fototerapia mais comumente indicada no tratamento da psoríase? UVB banda estreita e PUVA: comportamento da prescrição. An Bras Dermatol. 2009;84(3):244-48.
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Aluno em atividade: Em duplas façam uma matéria jornalística sobre o artigo científico acima.

Artigo científico - Influências nutricionais na psoríase

Anais Brasileiros de Dermatologia
versão impressa ISSN 0365-0596
An. Bras. Dermatol. vol.84 no.1 Rio de Janeiro jan./fev. 2009
doi: 10.1590/S0365-05962009000100016
COMUNICAÇÃO



Influências nutricionais na psoríase*





Maria Lúcia Diniz Araujo-I;
Maria Goretti P. de A. Burgos-II;
Isis Suruagy Correia Moura-III

I-Mestranda em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife (PE), Brasil
II-Doutora em Nutrição. Especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Nutricionista da Clínica de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HCUFPE). Nutricionista pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife (PE), Brasil
III-Nutricionista residente da Clínica de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HCUFPE) - Recife (PE), Brasil



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RESUMO

A psoríase é uma doença inflamatória de pele, mediada por células T, hereditária, que sofre influência ambiental. Ingestão elevada de ômega-3, jejum, dietas hipocalóricas e vegetarianas mostram efeitos benéficos. Alguns pacientes que apresentam anticorpos antigliadina IgA/IgG, com sensibilidade ao glúten, melhoram após a retirada deste. O calcitriol é usado no tratamento tópico. Ingestão de álcool pode exacerbar a doença. Neste trabalho, analisam-se fatores dietéticos e descrevem-se seus benefícios na psoríase.

Palavras-chave: Ácidos graxos ômega-3; Antioxidantes; Bebidas alcoólicas; Dieta; Glúten; Psoríase


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INTRODUÇÃO

A psoríase é doença inflamatória crônica da pele, mediada por células T, caracterizada por lesões eritematoescamosas, aumento na proliferação celular e padrões anormais de diferenciação dos queratinócitos1,2. Apresenta prevalência mundial estimada em 2%1,3, variando entre 0,6% e 4,8%, sem predileção por sexo nem por faixa etária, sendo mais comum entre a terceira e a quarta décadas, no sexo feminino e em indivíduos com história familiar4,5.

As causas são desconhecidas, porém uma predisposição genética3, associada a fatores ambientais como fumo, álcool, alimentação, infecção, drogas e eventos estressantes, constitui uma explicação etiológica plausível3.

A prevalência e a gravidade da psoríase têm se mostrado diminuídas durante períodos de jejum. Dietas hipocalóricas levam à melhora dos sintomas2 e podem ser importantes fatores adjuvantes na prevenção e no tratamento do tipo não-pustular moderado4.

Apesar de vários mecanismos serem discutidos, a causa direta desses efeitos positivos nos sintomas da doença ainda é desconhecida2. A explicação mais importante é, provavelmente, a diminuição na ingestão do ácido araquidônico (AA), que resulta na menor produção de eicosanoides inflamatórios. Durante o jejum, ocorre redução na ativação das células TCD4 e elevação no número e/ou na função da interleucina 4 (citocina anti-inflamatória)1 e a restrição calórica leva à redução do estresse oxidativo1.

Dietas vegetarianas podem ser benéficas em todos os pacientes com psoríase, visto que há ingestão diminuída de AA e conseqüente redução na formação de eicosanoides inflamatórios. Concentrações elevadas de AA e de seus metabólitos pró-inflamatórios foram observadas em lesões psoriáticas, assim como em outras desordens autoimunes e inflamatórias. Uma opção terapêutica na psoríase é a substituição do AA por um ácido graxo (AG) alternativo, especialmente o eicosapentaenoico (EPA), que pode ser metabolizado pelas mesmas vias enzimáticas do AA2,5.

Quanto ao efeito da suplementação oral de ômega-3 nessa enfermidade, os resultados são conflitantes e não são claros em relação à dose a ser utilizada5. A maioria das pesquisas apresenta efeitos positivos; entretanto, resultados de testes randomizados e controlados são menos efetivos2. Apesar dos resultados ainda inconsistentes, pode-se recomendar ingestão de peixes ricos em ômega-3. Em pacientes com psoríase agudizada, infusões parenterais de ômega-3 podem ser benéficas2.

Estudos recentes evidenciaram uma associação entre a doença celíaca (DC) e a psoríase6; todavia, tal relação ainda é bastante controversa, uma vez que os dados são escassos6. Quanto à dieta isenta de glúten, sabe-se que poderá melhorar as lesões de pele, mesmo em pacientes sem DC, mas com anticorpos antigliadina IgA e IgG7. Dados da literatura ainda são escassos na explicação dos mecanismos envolvidos na associação entre DC, psoríase e dieta isenta de glúten nas lesões de pele. Várias hipóteses têm sido propostas, como alteração na permeabilidade intestinal, mecanismos imunes e deficiência de vitamina D6.

Estresse oxidativo e formação elevada de radicais livres têm sido relacionados à inflamação da pele na psoríase2. Estudos mostram que indivíduos com essa doença apresentam concentrações elevadas de malonilaldeído, um marcador da peroxidação lipídica, e estado antioxidante prejudicado, com níveis diminuídos de β-caroteno, α-tocoferol e selênio7.

O selênio apresenta propriedades imunomodulatórias e antiproliferativas. A literatura indica que pacientes com desordens inflamatórias de pele, melanoma maligno e linfoma cutâneo de células T apresentam baixas concentrações desse elemento8. Seu baixo nível pode ser fator de risco para o desenvolvimento da psoríase, sendo poucos os trabalhos publicados7. Níveis diminuídos de selênio relacionam-se com a gravidade da doença e podem ocorrer devido à baixa ingestão alimentar ou à excessiva descamação da pele8.

Dentre outros fatores que podem elevar o estresse oxidativo e reduzir os antioxidantes naturais, em indivíduos com história da doença há mais de três anos, relata-se a ingestão alcoólica elevada e o fumo ativo e/ou passivo8. Homens jovens e de meia-idade apresentam riscos com ingestão de álcool enquanto que, em mulheres, não é fator de risco, mas agrava o quadro clínico9. Pacientes psoriáticos devem evitar a ingestão de álcool, principalmente, nos períodos de exacerbação, quando ocorre elevado risco de cirrose hepática associado com metotrexato ou outros tratamentos hepatotóxicos2.

O calcitriol e seus análogos exercem efeitos antiproliferativos e pró-diferenciativos, o que justifica a sua importância na psoríase. Deve-se considerar suplementação oral da vitamina D em pacientes com psoríase que não fazem o tratamento tópico com a vitamina2,10.

Finalmente, pode-se dizer que a dieta é fator importante na patogênese da psoríase e que, apesar de os resultados da literatura com suplementação oral de óleo de peixe serem inconsistentes, os pacientes podem ser orientados a ingerir peixes ricos em ômega-3, por seus benefícios no quadro clínico. A pacientes hospitalizados com doença aguda sugerem-se infusões parenterais de ácido graxo poli-insaturado. Outros estudos devem ser realizados para esclarecer o papel da dieta isenta de glúten, o que pode diminuir a gravidade da doença em pacientes com anticorpos. A vitamina D tem sido uma opção terapêutica, devido a suas atividades imunorregulatórias e antiproliferativas.



REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Maria Goretti P. de A. Burgos
Depto.Clínica Médica da Fac. Medicina da UFMG
Rua Baltazar Pereira, 70/601 - Boa Viagem
51011 550 - Recife - PE
Tel.: (81) 3325-3873
E-mail: gburgos@hotlink.com.br

Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 22.12.08.



Conflito de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum
Como citar este artigo/How to cite this article: Araujo MLD, Burgos MGPA, Moura ISC. Influências nutricionais na psoríase. An Bras Dermatol. 2009;84(1):90-2.
* Trabalho realizado no Serviço de Nutrição do Hospital das Clinicas (UFPE) - Recife (PE), Brasil.
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Aluno em atividade: Em duplas façam uma nota jornalística sobre o artigo científico acima.