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sábado, 17 de setembro de 2011

Twitter, quem seguir?


Os melhores 215 perfis para você seguir no Twitter

Redação Super 14 de setembro de 2011
Em 2010, a SUPER conseguiu 180 mil seguidores no Twitter e publicou uma lista com os 180 perfis mais legais para você seguir. Agora, atingimos a nossa meta de 515 mil (olha que crescimento rápido! :D ) e vamos comemorar com outra lista – desta vez, com os 215 (porque 515 é demais, né?) melhores twitters do ano.  Em relação ao ano passado, alguns ficaram, outros saíram e muitos entraram. Os arrobas estão separados por categoria, então você pode ir direto aos temas que mais lhe interessam. Vamos lá:
Melhores de tecnologia
1- @timberners_lee (Tim Berners-Lee, cientista da computação, professor do MIT e criador da WWW)
2- @BillGates (Bill Gates. Sem mais.)
3- @cshirky (Clay Shirky, pesquisador americana que avalia o comportamento do público diante do avanço tecnológico)
4- @ JPBarlow (John Perry Barlow, um dos três fundadores da Electronic Frontier Foundation)
5- @Om (Om Malik, editor de tecnologia do blog GigaOM)
6- @mashable (Pete Cashmore, CEO e fundador do Mashable.com)
7 -@RWW (Read Write Web)
8- @biz (Co-fundador do Twitter)
9- @kevinrose (CEO do @milk e funfafor do digg.com)
10- @benparr (colaborador do @Mashable)
Melhores de ciência
12. @astro_tim (Tim Kopra, astronauta e coronel do exército dos Estados Unidos)
13. @RichardWiseman (escritor, psicólogo e mágico)
14. @richarddawkins (biólogo)
15. @drhelenfisher (Helen Fisher, pesquisa comportamento humano na Rutgers University)
16. @Bstockwell (Brent Stockwell, professor de Biologia da Universidade de Columbia)
17. @Astroengine (produtor espacial da Discovery News)
18. @2020science (Andrew Maynard, cientista)
19. @ChemistGeek (Joan Manel,químico especialista em Química Orgânica e Química Quântica)
20. @cheeky_geeky (Dr. Mark Drapeau)
21. @noahWG (Noah Gray, editor da Nature)
22. @dulcidio (Dulcidio Braz Jr, físico)
23. @MarcAbrahams (colunista do Guardian, organizador do IgNobel)
24. @digg_sciences (a reunião dos tópicos de ciência no Digg)

82. @denisrbMelhores de internet e redes sociais
54. @chr1sa (Chris Anderson)
55. @acarvin (Andy Carvin, o caçador de boatos do twitter)
56. @na_kombi
58. @cmerigo
62. @bethsaad
64. @madu
65. @crisdias
Melhores de mídia
66. @marcelotas (Marcelo Tas, famoso pelo patrocínio no perfil do Twitter)
67. @Wired
69. @tdoria
70. @rosana
73. @nascapas
76. @carr2n
77. @brianstelter (cobre mídia digital para o NYTimes)
78. @Gladwell (Malcolm Gladwell, colunista do NYTimes)
79. @wgsn (A Bloomberg da indústria da moda)
Melhores de sustentabilidade
84. @algore
85. @avialli
87. @clauchow
90. @eol
91. @PauloAdario (Greenpeace)

Formadores de opinião
129. @ibere
130. @inagaki
134. @JovemNerd
138. @interney

sábado, 20 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Percepção do brasileiro sobre ciência e tecnologia


Atividade: Leia o documento sobre a enquete e elabore um texto jornalístico apresentando os resultados da pesquisa. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pesquisa linguística


Especiais

Singularidade brasileira

24/3/2011
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O português falado no Brasil tem certas propriedades sintáticas que não se encontram no português europeu, nem em outros idiomas. Durante mais de quatro anos, um grupo de pesquisadores se dedicou a analisar o conhecimento já reunido sobre essas propriedades, a fim de discuti-lo sob a perspectiva do mais novo paradigma da pesquisa linguística: o chamado Programa Minimalista.

Concluído no fim de fevereiro, o Projeto Temático Sintaxe gerativa do português brasileiro na entrada do século 21: Minimalismo e Interfaces, financiado pela FAPESP, foi coordenado por Jairo Nunes, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Nunes, o principal resultado do projeto foi o livro Minimalist Essays on Brazilian Portuguese Syntax (“Ensaios minimalistas sobre a sintaxe do português brasileiro”), lançado em 2009, que reúne dez artigos produzidos por seus participantes.

“O objetivo central do projeto consistiu em capitalizar o conhecimento já adquirido sobre as propriedades sintáticas distintivas do português brasileiro e discuti-lo à luz do Programa Minimalista, descobrindo em que medida essas propriedades podiam ser explicadas na sua interface com outros componentes da gramática”, disse à Agência FAPESP.

O Programa Minimalista foi estabelecido a partir de 1995 pelo linguista Noam Chomsky, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, derivado da Teoria de Princípios e Parâmetros, formulada pelo mesmo autor na década de 1980 a partir de uma tradição linguística iniciada em meados do século 20.

A Teoria de Princípios e Parâmetros estabeleceu a ideia de que há um componente inato, biologicamente fundamentado, na predisposição humana a aprender uma língua, e que todas as produções linguísticas seguiriam uma “gramática universal”, comum a todos os seres humanos.

“Descobriu-se então que o conhecimento linguístico se organiza em termos de princípios – propriedades invariáveis de todas as línguas – e parâmetros, que são os padrões e opções que codificam feixes dessas propriedades. A tarefa de uma criança que aprende uma língua seria, portanto, estabelecer os valores desses parâmetros”, explicou Nunes.

O Programa Minimalista tem a proposta de não apenas investigar quais são as propriedades da faculdade da linguagem e seu papel na aquisição de uma língua natural, mas também tentar explicar por que a faculdade da linguagem tem exatamente essas e não outras propriedades.

Por estabelecer um fundo comum entre todos os idiomas, o novo paradigma da Teoria de Princípios e Parâmetros, de acordo com Nunes, possibilitou a comparação detalhada entre as línguas mais variadas, em diversos estágios de desenvolvimento.

“Isso desencadeou uma gigantesca explosão de conhecimento no domínio da linguística. Não é nenhum exagero dizer que, a partir da década de 1980, aprendemos mais sobre a língua humana que em todos os séculos anteriores”, afirmou.

De acordo com Nunes, desde então houve uma grande profusão de trabalhos sobre o português brasileiro, que mostraram que a língua falada no Brasil possui uma gramática muito especial em relação ao português europeu e às outras línguas românicas.

“A partir da década de 1980, a pergunta que orientava as pesquisas era: quais são e como se organizam as propriedades das línguas humanas? No Projeto Temático, procuramos redimensionar esse conhecimento acumulado à luz dos novos avanços conquistados pelo Programa Minimalista. A pergunta central passou então a ser: por que as propriedades se organizam da maneira que se observa?”, disse.

Sujeito nulo

Um dos tópicos centrais na discussão feita sobre o português brasileiro, segundo Nunes, é a questão do chamado “sujeito nulo”, conhecido na gramática tradicional como “sujeito oculto”.

“Quando comparado ao sujeito nulo do português europeu, ou das outras línguas românicas, o sujeito nulo do português brasileiro é muito singular. O uso que fazemos do sujeito nulo é mais parecido com as construções infinitivas do inglês, ou as formas subjuntivas das línguas balcânicas, por exemplo”, disse.

O impacto dessa característica singular é muito grande, já que o tipo de sujeito nulo encontrado no português brasileiro simplesmente não deveria existir.

“Na medida em que as nossas pesquisas demonstraram que essa possibilidade teórica existe, propusemos que boa parte do modelo de análise linguística deverá ser reformulada, a fim de incorporar esses dados relativos ao português brasileiro”, disse o professor da FFLCH-USP.

A proposta de reformulação foi reportada no livro Control as movement, publicado em 2010 pela Cambridge Press University, de autoria de Nunes, Cedric Boeckx, da Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha), e Norbert Hornstein, da Universidade de Maryland (Estados Unidos).

“Boa parte da discussão procura retomar os dados sobre o sujeito nulo. Mostramos como o modelo teórico terá que ser modificado em função das novas descobertas nesse campo”, afirmou.

Tanto o português brasileiro como o lusitano permitem o sujeito nulo, segundo Nunes. Mas, quando se observam os usos específicos, percebe-se que essa estrutura recebe um sentido bem diferente na língua falada no Brasil. “Uma das hipóteses que levantamos para explicar isso se relaciona com o enfraquecimento da concordância verbal e nominal no português brasileiro”, disse.

A previsão que se fazia antes das descobertas era de que não deveria haver línguas com o sujeito nulo em orações indicativas, com uma série de propriedades associadas com o que chamamos de movimento sintático.

“Imaginava-se que essa seria uma das propriedades universais: nenhuma língua teria esse tipo de sujeito. Mas mostramos que ele é encontrado no português brasileiro. Portanto, não é uma propriedade universal. O novo modelo terá que explicar não apenas a característica do nosso português, mas também precisará explicar por que essa ocorrência é tão rara”, afirmou.

A interpretação da frase “o João acha que a mãe do Pedro disse que vai viajar”, segundo Nunes, é clara para o brasileiro: a mãe é o sujeito de “vai viajar”, que está oculto. “Mas, para as outras línguas, se a frase for construída dessa forma, não fica claro se quem vai viajar é a mãe, o Pedro, ou o João. A interpretação nesse caso é muito difícil para quem não é brasileiro”, apontou.

Por outro lado, na frase “Maria disse que o médico acha que está grávida”, a interpretação para os brasileiros é que se torna difícil. “Soa muito estranho para nós. Dá a impressão de que o médica está grávido. Para o português europeu, não há nenhuma dúvida: quem está grávida é a Maria”, explicou.
Para uma sentença como “o João é difícil de elogiar”, o português brasileiro admite dois significados. Mas no português europeu, o significado está claro: “é difícil elogiar o João”. “Em alguns casos vamos ter mais possibilidades interpretativas no português brasileiro, em outros, no português europeu”, disse Nunes.

Outro tópico explorado no Projeto Temático no tema do sujeito nulo se refere a frases comuns no português brasileiro coloquial, como “eles parecem que vão viajar”.

“Isso é completamente impossível no português europeu. É algo que só se explica pelo que chamamos de ‘movimento’. Mas basta um deslocamento do pronome para que a frase se torne compreensível em Portugal: ‘parece que eles vão viajar’”, disse.

O movimento pode envolver expressões idiomáticas do português brasileiro, configurando um tipo de sentença que se tornaria ainda mais incompreensível em outras línguas.


“Podemos dizer ‘a vaca parece que foi para o brejo’. Isso é impossível em outra língua, ou no português europeu. O sujeito nulo só pode ser usado dessa forma no português brasileiro graças à ação de um feixe de propriedades diferentes”, disse Nunes. 
 

terça-feira, 15 de março de 2011

Sim, o Homem foi à lua




por José Roberto Peters *


            A ciência não explica tudo e nem tem esta pretensão. Mas entre explicações científicas e não-científicas opte pelas primeiras. Desconfie muito de quem tem explicação a todos os fatos e fenômenos do universo. Charlatães de plantão vivem a fazer predições e a ganhar dinheiro fácil, sempre por sobre a credibilidade humana. E, muitas vezes, dão às suas peripécias tratamento de ciência.

Os caçadores de óvnis, por exemplo, dizem que estão fazendo ciência. Mas, na verdade, eu nunca consegui entender porque um suposto ser alienígena sairia de uma civilização mais avançada, pra lá de alfa do centauro, na sua nave toda tecnológica e se daria ao luxo de vir assustar um agricultor lá em Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, ou uma dona de casa em Aparecida de Goiás. Sei lá, deve ser falta do que fazer.

Entre a astronomia e a astrologia eu fico com a primeira. É mais séria e capaz de melhores previsões. A astrologia, basicamente, diz que recebemos influências — gravitacionais e magnéticas — da posição dos astros no momento de nosso nascimento. Pois bem, um fusca que passe na rua em frente à maternidade proporciona uma força gravitacional — matéria atrai matéria na razão direta de suas massas e inversa do quadrado da distância, como já dizia Newton — maior que qualquer planeta situado em qualquer parte do Universo. Sobre a influência magnética, então, o rádio ligado na recepção da maternidade, sintonizado na rádio Araguari, por exemplo, ganha das emissões vindas de Marte. Dependendo do programa pode ser até um problema pro recém-nascido.

A mim, uma das melhores cenas do filme Uma Mente Brilhante — com Russell Crowe e que conta a história de John Nash, matemático e prêmio Nobel de economia e criador da teoria dos jogos — é quando ele e a futura esposa estão numa sacada, durante uma festa, e ele pede que ela diga uma forma. Ela fala cadeira. Nash pega o braço da namorada e desenha, ligando estrelas, uma cadeira. Ela poderia ter pedido escorpião, sagitário ou qualquer outra sandice que lhe viesse à cabeça.

            Você, leitor, pode não entender a ciência. Pode até “estar-nem-aí” para ela. O mundo vai continuar na sua trajetória, não se preocupe. Já dizia Fernando Pessoa, em A Tabacaria: “O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica”. Mas digo-lhe uma coisa: você será uma presa mais fácil para manipuladores. Quer ver? Você sabia que o CO2 — o vilão do momento — é responsável por apenas 2% do efeito-estufa? E que o homem contribui com apenas 3% das emissões deste gás na natureza? A maior parte das emissões vem de causas naturais. E 98% do efeito-estufa é causado pelo vapor de água. Uma coisa difícil de deter num planeta que tem dois terços da sua superfície líquida.

            E não se espante com os avanços tecnológicos. Eles estão aí desde antanho. A televisão, por exemplo, transmite o seu primeiro jogo de futebol em 1936, na Alemanha de Hitler. Era um jogo contra o pessoal do Mussolini. Imagina o perfil da torcida. Os dois lados devem ter passado o jogo cantando: “aqui tem um bando de loucos”. A copa de 58 — na qual os brasileiros (des)encantaram — foi transmitida ao vivo para toda a Europa. Em 70, por satélite, para todo o mundo. Assim, o satélite é anterior à copa do México.

            Vamos viajar ainda mais no tempo. Em 1824 a distância Terra-Sol é medida com precisão. Nascem, em 1826, as geometrias não-euclidianas. A lua é fotografada em 1839. Em 1860 são feitos os primeiros estudos sobre a teoria dos corpos negros, marco inicial da moderna física quântica.  A descrição da teoria do efeito-estufa é feita em 1863. Em 1905 Einsten propõe a teoria da relatividade. E por aí vai.

Estas datas e acontecimentos — muitas vezes inúteis à maioria dos mortais — foram escolhidas para um propósito: tentar refutar uma das teorias da conspiração que de tempos em tempos volta à tona: a de que o homem não foi à lua. Foi sim. Esteve lá sim. Caminhou e até trouxe alguns souvenirs. A transmissão foi ao vivo, desde a lua, via satélite, até a sua casa, se é que naquele dia — 20 de julho de 1969, às 16:18 horas no horário de verão (nos Estados Unidos, é claro) — você tinha uma TV preto e branco ligada.

Os argumentos dos detratores desta façanha — chamados por alguns cientistas de paranóicos ou comunistas convictos — são muitos. E, como em toda teoria da conspiração, não são fracos e, utilizando um linguajar científico, conseguem cooptar leigos e desconfiados de plantão, que saem por aí vomitando teorias. Geralmente são pessoas com pouca ou quase nenhuma formação acadêmica em ciências, que preferem, por exemplo, ler sobre física quântica na revista Planeta ou em Paulo Coelho ao invés de ir abeberar-se em Einstein, Born, Heisenberg ou Schrödinger, para citar alguns.

 Muitos dos defensores desta teoria vêem somente um lado da questão. Não procuram um contraponto ou uma explicação vinda de fontes mais seguras. Tratam a “coisa” como verdade. Tratam a si mesmos de “cientistas”. Ora, a ciência não promete a verdade. Até porque verdade não é um conceito de ciência. Está mais para religião. A ciência não é neutra, ela atende a interesses — muitas vezes espúrios e eminentemente econômicos. Muitas das inovações tecnológicas estão ligadas à guerra. Pesquisas de remédios, por exemplo, são pagas e muitas vezes não acessíveis àqueles que não podem pagar.

Mas vamos à lua. Conceitos básicos de física são suficientes para abalar os crentes na teoria conspiratória de que o homem nunca pisou na lua. Um dos primeiros argumentos era de que o homem, em 1969, não tinha tecnologia para isso. Mentira. A tecnologia estava disponível. Não a todos, é claro. E não sejamos ingênuos a ponto de pensar que os bilhões gastos para mandar o homem à lua — ou para criar uma farsa deste tamanho, como querem os conspiradores — pudessem ser usados para matar a fome na África.

Outro argumento dos conspiradores é de que não há estrelas no céu e estas deveriam ser visíveis. Leitores, para fotografar objetos que emitem pouca luz — como o caso das estrelas — é necessário que o tempo de exposição seja aumentado ou utilizar um filme que se sensibilize mais rapidamente, para diminuir este tempo. E mais, no caso da lua, para que as estrelas aparecessem na foto elas iriam concorrer com as roupas brancas dos astronautas e com o brilho da lua — que, você deve saber, não tem luz própria, apenas reflete o brilho do sol. Então, para apreciar as estrelas, teríamos uma imagem borrada, por causa dos seus concorrentes em emissão de luz.  O tempo de exposição das fotos tiradas na lua é da ordem de 0,004 segundos. Em 1967, dois anos antes, uma sonda americana tirou fotos da superfície lunar onde aparecem as estrelas. Para estas o tempo de exposição foi de três minutos. Faça as contas: tempo 45 mil vezes maior que o da exposição das fotos dos astronautas.

Para o problema das sombras nas fotos é simples dizer que nós vemos os objetos porque eles refletem a luz em direção aos nossos olhos. Na Idade Média, por exemplo, achava-se que era o contrário. Por isso, quando uma pessoa via coisas que não deveria podia ter os olhos furados. Quando você está num quarto escuro de paredes escuras iluminado por uma única fonte de luz, nada que esteja sob a sua sombra será visível, pois a região não recebe luz e não pode ser refletida. Na Terra esta situação não é tão comum: recebemos luz direta do sol e também pela luz refletida na atmosfera, nas nuvens, no solo ou em qualquer outro objeto próximo capaz de reflexão. Neste caso, não são sombras, são penumbras, que não são totalmente isentas de luz. Na lua não há atmosfera para espalhar a luz. Desta forma, seria de se esperar que as sombras fossem completamente negras. Porém, o solo lunar é composto por silicatos brilhantes que atuam como reflexores e, também, o módulo lunar e as roupas dos astronautas ajudam neste aspecto.

E mais, o terreno lunar não é plano, o que explicaria as diferenças de tamanho das sombras. Duas pessoas em níveis diferentes de altura teriam sombras de tamanho diferentes, mesmo se fossem do mesmo tamanho. A pessoa no nível maior lança uma sombra maior que outra que esteja abaixo. Quer outra? Duas sombras somente serão paralelas se estiverem em duas superfícies paralelas, coisa difícil de conseguir em um terreno não plano.

Para explicar a ausência de marcas profundas do módulo lunar no solo vale lembrar que este possuía cabos sensores em três das suas quatro plataformas de pouso. Quando um destes cabos tocou no solo lunar o piloto desligou os jatos e o módulo pousou “suavemente”. Isto fez com que as marcas no solo lunar fossem menores do que queiram os conspiradores.

A tal letra C, que aparece em uma foto já foi investigada mais amiúde e cientistas, examinando os negativos, descobriram tratar de um fio de fibra que se havia depositado sobre o filme antes da revelação. O grande problema é a confusão que fazem os conspiradores: a foto em questão foi feita na Missão Apolo 16, e quem esteve na lua pela primeira vez foi a Apolo 11.  

O problema da bandeira tremulando é simples. Só vemos a bandeira tremulando quando o astronauta finca-a no solo, rodando sua haste para que esta penetrasse no solo, mais duro que se supunha. Após isto a bandeira ainda tinha um movimento residual. Nas cenas seguintes a bandeira está imóvel. Ela também está esticada, o que seria impossível devido à ausência de vento. Para isto a bandeira contém também uma haste horizontal que faz com que pareça balançar ao vento.

Isto tudo posto vem a pergunta: se o homem foi à lua porque não voltou mais? Bem, primeiro é que os americanos correram para a lua antes que os soviéticos o fizessem. E gastaram um bom dinheiro nisso. Hoje em dia é mais barato mandar sondas e robôs. Assim, foi mais uma missão militar em épocas de Guerra Fria que qualquer outro tipo de empreendimento, mesmo que científico. O maior objetivo era mostrar superioridade. Neste aspecto mostraram. Depois disso, os Estados Unidos foram resolver suas pendengas no Vietnã, onde também derramaram um monte de dinheiro. Além do mais os espectadores americanos perderam o interesse de ver astronautas voltando com nada além de pedras. As audiências caíram. E quando a audiência cai vocês sabem o que acontece.

São muitas as teorias conspiratórias. E muitos os que embarcam nelas. Muitas vezes nem é bom ficar dando corda. Você sabe leitor, quanto mais se mexe mais fede. Mas o fato é que muitas destas leituras são divertidas. É claro, também, que há gente séria que as defendem. É óbvio que em muitas delas há indícios de que não devemos acreditar em tudo que é oficial. Até porque sabemos que todos os discursos — oficiais ou não — estão recheados de ideologia e que se não tivermos uma posição crítica ficaremos à mercê de espertalhões, que nem sempre nos têm em alta conta e só esperam uma oportunidade para nos fisgar.  


*José Roberto Peters é matemático, mestre em educação científica e tecnológica e atualmente trabalha no Ministério da Saúde, na área de Economia da Saúde.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As pesquisas eleitorais e os modelos científicos

As pesquisas eleitorais e os modelos científicos

A discrepância entre as previsões das pesquisas eleitorais e os resultados das urnas servem como pretexto para o físico Adilson de Oliveira discutir como os cientistas se baseiam em modelos da natureza para fazer previsões.
Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 15/10/2010 | Atualizado em 18/10/2010
As pesquisas eleitorais e os modelos científicos
Trabalhadores desembarcam caminhão com as urnas lacradas. Apesar de dezenas de pesquisas, no dia da eleição tudo pode mudar (foto: Agência Senado / CC BY-NC 2.0).
Os resultados das pesquisas de intenção de voto estão entre os assuntos mais comentados nesse período eleitoral. Praticamente toda semana e, ultimamente, quase todos os dias, surge uma nova pesquisa sobre a preferência da população em relação aos candidatos à presidência da República e ao governo dos estados que terão segundo turno.
Os resultados dessas pesquisas não somente influenciam diretamente a forma como os candidatos conduzem as campanhas, mas também acabam influenciando o próprio eleitorado.
Como é possível fazer previsões entrevistando apenas 3 mil pessoas em um universo de mais de 120 milhões de eleitores?
Houve grande frustração pelo fato de nenhum dos institutos de pesquisa de opinião ter conseguido prever com certeza o segundo turno para as eleições presidenciais. O resultado das urnas surpreendeu a muitos, pois houve uma brusca mudança entre a vontade do eleitorado retratada nas sondagens e a realidade apresentada pelas urnas.
Os resultados dessas pesquisas sempre são divulgados ao lado da sua margem de erro, ou seja, o grau de precisão do resultado. No caso das pesquisas para presidente, a margem de erro costumava ser de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, criando expectativas, como a situação de "empate técnico" entre dois candidatos.
É comum que a maioria das pessoas se pergunte: como pode ser possível fazer previsões como estas entrevistando apenas 2 ou 3 mil pessoas, em um universo de mais de 120 milhões de eleitores? É possível prever o futuro – no caso, quem será o próximo presidente? Essas previsões são científicas?
As pesquisas de opinião são baseadas em métodos estatísticos que levam em conta a distribuição da população brasileira por idade, sexo, nível de escolaridade, renda mensal e região do país em que vive. Contudo, cada instituto adota metodologias diferentes e, por isso, surgem resultados diferentes, mesmo para pesquisas realizadas na mesma época.

Modelos da natureza

A ciência costuma trabalhar com previsões feitas por meio de modelos desenvolvidos e testados a partir da observação da natureza. As leis da mecânica estabelecidas no século 17 por Isaac Newton (1642-1727), por exemplo, permitem prever o movimento de queda de um corpo ou quais são as órbitas dos planetas ao redor do Sol.
Seu poder de previsão é tão grande que foi possível descobrir, a partir de irregularidades na órbita de planeta Urano, a existência no Sistema Solar de um planeta que ainda não havia sido observado. Cálculos feitos de forma independente pelo matemático Urbain Leverrier (1811-1877), na França, e pelo astrônomo John Couch Adams (1819-1892), na Inglaterra, previram a localização do planeta desconhecido. 
Ele foi observado em 23 de setembro de 1846 pelo astrônomo alemão Johann Gottfried Galle (1812-1910) e pelo dinamarquês Heinrich Louis d'Arrest (1822-1875) e posteriormente batizado de Netuno. Sua descoberta representou a maior glória do modelo newtoniano, pois pela primeira vez foi possível prever a posição de um planeta a partir de cálculos matemáticos.
Netuno e satélite
Netuno e seu satélite Triton fotografados pela sonda Voyager 2 em 1989. A descoberta desse planeta no século 19, feita apenas com cálculos matemáticos, representou um triunfo do modelo newtoniano do universo (foto: Nasa / Jet Propulsion Lab).

Curiosamente, muitos dos planetas descobertos em outros sistemas estelares (que já são 500 na data da publicação dessa coluna) utilizam cálculos semelhantes.
A descoberta de Netuno representou a maior glória do modelo newtoniano
Todo modelo tem o seu limite de validade, ou seja, situações nas quais ele não consegue descrever com precisão os fenômenos observados.
As leis da mecânica newtoniana não conseguem descrever a luz e os fenômenos eletromagnéticos, a estrutura atômica da matéria ou eventos que ocorrem com velocidades próximas à da luz ou na presença de campos gravitacionais intensos. Nesse caso, outras teorias e modelos são necessários para explicar esses fenômenos naturais.

Equações de Maxwell e mecânica quântica

A maioria dos fenômenos eletromagnéticos são descritos pelas equações de Maxwell, que foram organizadas em 1865 pelo físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879). Antes dele, diversos pesquisadores tinham estudado fenômenos associados a campos elétricos e magnéticos, como o caso de Ampère, Oersted, Faraday e outros, mas coube a Maxwell propor um modelo unificado para explicar essas interações. 
As equações de Maxwell não funcionam para explicar os fenômenos na escala atômica
As equações de Maxwell descrevem como os campos elétricos e magnéticos interagem entre si e também mostram que a luz é um fenômeno eletromagnético e se propaga na forma de uma onda. Essa descrição, contudo, não funciona para explicar os fenômenos na escala atômica. Nesse caso, um novo modelo teve que ser desenvolvido.
A mecânica quântica é um modelo físico que começou a ser desenvolvido no começo do século 20. Aos poucos, os físicos descobriam novos fenômenos que os modelos da época – a mecânica newtoniana e o eletromagnetismo de Maxwell – não conseguiam explicar de maneira satisfatória.
Um exemplo disso foi a descoberta de que a luz pode, em algumas situações, não se comportar como uma onda eletromagnética, como previsto pelas equações de Maxwell, mas sim como pacotes de energia proporcionais à frequência da radiação incidente. Posteriormente, esses pacotes de energia foram chamados de fótons. Essa proposta foi feita por Albert Einstein (1879-1955) em 1905 e é considerada um dos marcos desse novo modelo.
Luz
As descobertas de Einstein sobre a natureza da luz em 1905 levaram a uma revisão do modelo de Maxwell do eletromagnetismo (foto: Zouavman Le Zouave / CC 3.0 BY-SA).

A mecânica quântica não foi apenas um novo modelo para descrever os fenômenos na escala atômica, mas também revolucionou a forma de entendermos a natureza. Entre as inúmeras mudanças que ela introduziu, talvez a mais impactante tenha sido a descoberta de que, quando medimos com absoluta precisão a posição de uma partícula, o seu momento (que é o produto da sua massa por sua velocidade) não pode ser conhecido com precisão.
Os modelos e teorias desenvolvidos pela física estão em transformação constante
Essa limitação não é técnica, no sentido de uma limitação dos equipamentos que fazem a medição, mas sim uma imposição da natureza. Esse é o princípio da indeterminação, proposto em 1927 pelo alemão Werner Heisenberg (1901-1976).
Dessa forma, mesmo os modelos e as teorias desenvolvidos pela física e pela ciência de forma geral estão em transformação constante: quando se descobre uma nova situação, o modelo deve ser aprimorado para descrever melhor o fenômeno observado.
No caso de modelos estatísticos que descrevem as opiniões das pessoas, que estão a todo momento sendo influenciadas por muitas variáveis, principalmente a propaganda eleitoral, é sempre difícil conseguir uma precisão absoluta que se refletiria em pesquisas de opinião sem erros.
De fato, o resultado absoluto só é obtido quando se faz a pesquisa levando em conta todas as opiniões, ou seja, a eleição computando cada voto dado. Nesse caso, porém, já não há a necessidade de qualquer modelo ou previsão!

Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos